Talentos

ILHA DA MAGIA

A ILHA DA MAGIA

Certa vez, num belo barco entrei
E com alegria, me pus a navegar
Sai conhecendo a costa e o mar
Até que, uma linda ilha encontrei.

Admirei, achei-a esplendorosa
Resolvi parar e ficar um pernoite
Mas antes da sinistra meia-noite
A coisa foi ficando assombrosa.

Descobri que ali era cheio de magia
Fascinada tratei de procurar saber
Com calma, começaram a me dizer
Lendas e mitos, que eu não conhecia:

Contíguo a PRAÇA XV central
Um navio pirata silencioso chegou
Atacou o miúdo povoado e matou
Num massacre horripilante e fatal.

Bem no lugar da tragédia infernal
Uma figueira frondosa cresceu
Sobre ela lendas se desenvolveu
Sendo repassadas como fato real:

Que aquela figueira era encantada
Lamentos se ouvia mas nada se via
De dia e de noite acontecia e se dizia
Que aquilo era coisa de alma penada.

Mas a lenda foi se transformando
Quando visitantes do itinerário.
Dando voltas em sentido anti-horário
Notaram seus desejos se realizando

Cada volta somada, sorte diferente:
Para retornar - uma volta inteira
Pra namorar e casar - duas certeira.
Pra turbinar a sorte - três igualmente.

Na belíssima PRAIA JOAQUINA
A história é de um grandioso amor
Que findou se convertendo em dor
Transformando uma vida em sina.

Era um casal que muito se amava
O rapaz fazia pescas em alto mar
Ela pedia para ele não mais viajar
Mas ele prometia e sempre voltava.

Certa vez, esperou e ele não voltou
Mas ela não deixou sua fé se abalar
Tinha esperança que ele ia retornar
E por longos anos, na praia, esperou.

Até que um dia, ela, já muito cansada
Debilitada, cambaleando, ainda surgiu
Olhou o mar, chorou e ali mesmo caiu
Encerrando por fim sua triste jornada.

E na PRAIA DE ITAGUAÇU
Bruxas que habitavam na floresta
Decidiram, na praia, fazer uma festa
Sem convidar o repugnante belzebu

Todavia, o catinguento chegou
E além de acabar aquela festança
Usou magia negra como vingança
E em pedra todas elas transformou.

Na ILHA DO ARVOREDO
Existe a GRUTA DO MONGE
Onde uma luz vista de longe
Atraiu atenção para um Rochedo.

Porém, pescadores viram abismados
Que um monge havia feito moradia
Além disso, sabia curar e distribuía
Remédios para pobres necessitados.

A notícia se espalhou no povoado
Fé e romaria em seguida emergiu
Mas certo dia, do nada ele sumiu
E nunca mais foi visto ou achado.

Em RATONES um fato se repetia
De um cachorro que queria atacar
Uma mulher que costumava banhar
Seu filho, à noite, em uma bacia.

Um dia, irritada, ela bateu no enxerido
Furioso ele mordeu a saia dela e fugiu
Pela manhã, fiapos da dita saia ela viu
Bem presos nos dentes do seu marido.

Depois de tudo que ouvi, acreditei
Contudo, precisei a linda ilha deixar
Me surpreendi com desejos de voltar
Fui na figueira, zap! Uma volta circulei.

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Inspiração

O folclore é um gênero da cultura de origem popular, que representa a identidade social de um povo. A Ilha da Magia é um cordel, ambientado em um estado da federação brasileira, que tem o mesmo título, repleto de belezas naturais e um folclore riquíssimo em crenças e encantamentos, que atraíram minha admiração e deram asas a esta inspiração.

Sobre a obra

A obra é um texto poético, épico, que conta parte das belas lendas da Ilha da Magia, composto por 80 versos em Cordel de Quadras, com classificação de versos livres, rimas externas e interpoladas, combinando em ordem oposta, seguindo o esquema ABBA.

Sobre o autor

Sou uma estudiosa da arte da literatura. Contos de fadas, monstros lendários, mitologias, me fascinam. Por causa desse fascínio, tenho buscado, conhecer, pesquisar, estudar, aprender com a finalidade de, cada vez mais, escrever melhor.

Autor(a): VERONICA DA SILVA GALVAO (VERÔNICA GALVÃO)

APCEF/AL