E ENTÃO EU MORRI

Morri

E então eu morri! Mas não foi uma morte qualquer, foi uma morte marcante! Daquelas que as pessoas não deixam de comentar e todos querem ouvir e saber detalhes do ocorrido.
Mas, isso não vem ao caso, o que importa é como as pessoas se comportaram diante da minha morte! Quantas pessoas choraram com a minha travessia, quantas pessoas fizeram questão de dizer que eram meus amigos, ou que me conheciam, ou que tiveram algum contato comigo!
Houve quem contasse repetidas vezes as besteiras que eu falava, as piadas que eu contava e até mesmo os favores que eu fazia!
Teve ainda aquelas que lembraram dos abraços que eu dei nos momentos de alegria ou de tristeza, nos momentos de euforia ou de angústia, de reuniões ou de solidão. Houve ainda os abraços virtuais, os beijos com os emojis das redes sociais.
Ah! E lembraram do meu perfume! Disseram que quando eu chegava não precisavam me ver para saber que eu estava lá, sabiam pelo cheiro, que era só meu.
Vi também quem comentava de como eu tinha sempre uma boa resposta pra tudo! Disseram também que eu me importava com os outros, cuidava e amava com intensidade.
Ah! Vi quem disse: era uma ótima amiga, uma irmã cheia de opniões, uma mãe zelosa, uma companheira que passava segurança e amor, carinho e cuidado.
E eu ali, deitada no meu leito que será o último, e em breve descerei para a terra e o meu espírito do alto acompanhará todo o ritual de pessoas no funeral, gente que veio para a última despedida, gente que apenas está fazendo o seu trabalho, como os homens que estão a cavar a terra que há de ser jogada sobre mim em breve.
Seguirei feliz para refazimento do meu espírito e reencontro com os meus amores que se desligaram antes de mim.
E aos que ficaram para cumprir sua jornada eu digo: voltem em paz para os seus afazeres e não chorem porque parti, sorriam ao lembrarem de mim, pois assim sentirei que fiz muito bem a todos ao deixar belas e gostosas lembranças que se transformarão em saudades.

Eu!??

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Inspiração

Creio que morrer deva ser tão digno como viver. E em um momento em que eu estava pensando na vida, ocorreu-me de como eu queria ser lembrada após minha morte. Estávamos em plena pandemia, momento em que muitos de nós imaginaram que poderíamos ser mais uma vítima de tudo aquilo que estava acontecendo.

Sobre a obra

Na verdade não apliquei técnica, apenas sinto e escrevo, as palavras vão fluindo e eu não costumo realinhar o que foi escrito, pois vejo como sendo resultado único do momento único.

Sobre o autor

Não sei se se trata de talento, costumo escrever no momento que sinto vontade. Muitas vezes as palavras surgem, o pensamento viaja, a mão segue junto e por fim algo fica pronto. Estou inscrevendo essa "obra" nem sei bem o porquê, mas o fato é que senti vontade.

Autor(a): ADRIANA ALVES DA SILVA (ADRIANA ALVES DA SILVA)

CE