Ode a Portugal

Ode a Portugal

Do país só vi o Norte
O Sul, com sorte
Verei breve
Como deve.

E os prazeres da barriga?
Nem me diga!
Da punheta ao galopica
Sobre o prato nada fica.
Do cabrito ao peixe
Aconselho, nada deixe!

Ei, garçom, acorda!
Traz-me já uma açorda
De bacalhau!
Ou fico mal

E se de fato existiu um Viriato
Faço um trato
Seu rodovalho, queres com alho?
Grelhado ou ensopado?

E um fado, já ouviu?
Onde é que já se viu?
O fado não se ouve
Sente-se!
Então sente-se e sente o fado
Que já vai começar.

Vais ver o mar?
Então é só desembarcar
Pois é cá que mora o mar.

Está mal?
Então pense num lugar
Onde nada nunca está mal.

Esse lugar é Portugal
Lugar no qual
Há inverno, há neve,
Terramoto e carnaval.

Beba! Não finja!
Um vinho? Um Porto? Uma Ginja?


E Coimbra, a da Universidade?
Coimbra, a cidade
Que respira as letras.
Todas as letras do mundo.
Do Algarve ao Zêzere.

E se em Tomar – por Cristo! -,
Fores tomar um trago
O prazer não estragues
Pede Sagres.

E se abstêmio fores
Esquece as dores
Uma Pedras vais beber!

Braga e suas igrejas...
Parece que em Braga há uma igreja para cada dia do ano!
Haja fé naquela Sé!
E chega de igreja em Braga!
Senão estraga.

Atrás de uma benção?
São muitas as bênçãos
cá nesta augusta Braga.

Dai-me energia, Bom Jesus,
Pra subir-lhe o monte
(O suor escorre a fronte)
E beber água da fonte
Dos cinco sentidos.

Alguns dias idos
Já me sinto um bracarense.

Mas se o caso for um trago
Não rogues praga
Traz o corpo até o Porto
E aporta em qualquer porta
Seja reta, alta ou torta.

No Porto aporto
E mal se abre a porta
à porta peço
um Porto!

E pelos morros da cidade invicta
Venço mais um copo
De Porto
E fico torto
E outro mais
E fico tonto
E pronto!

Bebo outro Porto
E como uma francesinha!

Francesinha e Porto não combina?
Não combina lá na China!
Tudo combina nesse condado!
E tudo termina em fado!
Seja Alfama, Mouraria,
Na Ribeira ou no Chiado.

Da mais doce Ginja
Ao mais amargo licor de merda
Aqui tudo combina
E a menina
a criança ...

Vila Nova de Gaia!
Onde há mais álcool por metro quadrado no mundo!

Viva o Farol!
De Nazaré já vejo a onda
Que os gringos medem em pé
E se a vaga é gigante, avante!
O miúdo está de pé!
Por Jessé!

É lindo de ver
esse líquido e indomado corcel
Virar pônei para o nosso Gabriel.

Lisboa e sua luz!
Luxbona! Olisipo!
Nada vence essa terra.
Seja terremoto tsunâmi incêndio
Que juntos
Fazendo da catástrofe um compêndio
Atacaram de surpresa
Transformando Lisboa num pombal.
Mas aí veio um Pombal
E com uma só asa (penada)
Pôs ordem na casa!

Guarda bem o que te digo
Essa terra da pelota
Que, qual templários,
defensores da Terra Santa
deu Eusébio, Deco e Figo
Essa terra é giganta.

E não me espanta
Que dos pés do Ronaldo
- Esse que veio lá dos Açores -
(Não fala besteira! Ele veio da Madeira!)
Saiam dribles, chutes e golos
Fazendo a todos de tolos
Todos os defensores
Perpétuos, titulares ou incertos.
Nas Américas, na Beira
Na China
Na Europa inteira.

Portugal, terra de amores,
Atores, inventores!
Portugal, terra do fado!
São tantos os favores
Que tu voltas obrigado!

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Inspiração

Fiz essa poesia após retornar de uma viagem a Portugal.

Sobre a obra

Gosto muito da rima e da musicalidade da palavra. A poesia flui com a emoção, sem muito rigor estilístico...

Sobre o autor

Sou fotógrafo, designer, historiador da arte a agora marchand, após aposentadoria na CAIXA, em 2016...

Autor(a): LUIZ EUGENIO TEIXEIRA LEITE (Luiz Eugenio Teixeira Leite)

RJ