- Página inicial
- Detalhe obra
O altruísmo possível
O altruísmo possível
Sabemos que vivemos em sociedade e somos uma peça desse todo. Pensemos, então, nesse “todo” como um círculo vivo, em que toda ação reflete o movimento do conjunto. Como parte desse sistema, somos nós os responsáveis pela manutenção dessa dinâmica.
É sabido que ninguém está sozinho. Mesmo aquele isolado numa floresta há décadas, vivendo solitário, não está imune aos impactos, por exemplo, das mudanças climáticas decorrentes das ações humanas.
Vou me limitar a falar dos humanos, apesar de reconhecer que toda a natureza está envolvida nesse processo.
O que quero trazer à reflexão é o fato dessas afirmações serem tão óbvias e o simples ato de mencioná-las parecer tão repetitivo e, mesmo assim, muitas vezes (ouso dizer, na maioria das vezes), não conduzimos nossas vidas a partir deste conhecimento.
De fato, não conseguimos percorrer o círculo como gostaríamos. No fundo, o ser humano gostaria sim de fazê-lo para o bem comum, mas sua natureza não o permite. Já nascemos egoístas, mesmo sem noção disso. Admiramos o altruísta.
Arrisco-me a dizer que é o instinto de sobrevivência. É o querer se preservar, mesmo que em detrimento do outro. No entanto, isso nos custa a beleza da vida.
Ao contemplarmos um mundo ideal, queremos imediatamente nos transportar para lá. Tenho quase certeza de que todos têm esse impulso.
Então, por que não colaboramos mais para concretizar esse mundo dos sonhos? Por que julgamos que não vale a pena? Deixamos de agir para esse propósito, levando em conta que nossa contribuição é um investimento muito insignificante perante a grandeza da “beleza da vida”. De fato, é insignificante! É do nosso tamanho. Não teria como um só fazer a roda girar por todos. Deveríamos pensar na nossa insignificância também quando agimos para que a roda gire em torno de nossa própria vida.
Proponho que nos recolhamos à nossa pequenez e tentemos deixar de viver uma vida dupla: ora como um grãozinho de areia, ora como um sol. Se nos empenharmos em dar o comando à nossa maneira de agir, ou melhor, se agirmos racionalmente, poderemos subjugar nossos instintos e começar a defender a existência e a felicidade coletiva.
Evidentemente, não vou fingir que isso é fácil, porque não é. Na verdade, é bem difícil, tanto que os poucos que chegam ao ponto de viver altruisticamente, de considerar as vidas mais importantes que as coisas, precisaram passar por um “portal”, seja uma experiência muito profunda de quase perder a vida, seja por uma via espiritual, de fé arrebatadora, seja por uma busca pessoal ou por outro meio que lhes proporcione uma epifania. Naturalmente, não somos bons a ponto de querer o bem do outro como queremos a nós mesmos.
Assim sendo, convido-os a buscarem o “portal” e a deixar que sua razão, então transformada, dirija seu viver.
Denise Primo
Inspiração
Fiquei reflexiva durante a leitura do livro: Cristianismo puro e Simples (C. S. LEWIS).
Sobre a obra
Em uma manhã fiquei inspirada e escrevi despretensiosamente sobre a mensagem que ecoava em minha mente, a partir da leitura do livro que mencionei. E agora, com a abertura do concurso, decidi inscrever minha "obra".
Sobre o autor
Sempre gostei de escrever. Uso a escrita como um escape. Escrevo sentimentos, ideias, medos, anseios e, vez ou outra, surge um texto que compartilho com familiares e amigos.
Autor(a): DENISE PACHECO PRIMO PEREIRA (Denise Primo)
APCEF/MT