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A VIAGEM
A VIAGEM
Há encontros que chegam como quem anuncia um destino.
Não fazem barulho. Não pedem licença. Apenas mudam o mapa de quem os recebe.
Desde o primeiro olhar, soube que não seria uma paisagem de passagem, nem um carimbo no passaporte da memória.
Era caminho definitivo.
Viagem sem volta. Passagem só de ida para um lugar onde o tempo desaprende a correr, e os instantes, antes pequenos, descobrem a grandeza de um abraço demorado, de uma taça compartilhada, de um riso que nasce até do silêncio.
Há presenças que transformam o medo em prudência, a tempestade em garoa, e fazem os pesos da vida aceitarem ser carregados.
Dizem que viajar é ampliar os horizontes.
Mas existem pessoas que fazem mais do que isso: ampliam a própria existência.
Não custam pouco. Não custam muito.
São simplesmente inestimáveis.
E quem encontra uma dessas viagens descobre que o verdadeiro destino nunca foi um lugar.
Foi alguém.
Inspiração
A inspiração dessa poesia, como de tantas outras, é minha esposa, que conheci há 17 anos e, desde o primeiro olhar, soube que seria a viagem da minha vida.
Sobre a obra
O texto foi construído a partir da metáfora estendida, um recurso literário em que uma única imagem — neste caso, a viagem — sustenta toda a narrativa poética. Em vez de utilizar a viagem apenas como comparação, ela se torna a linguagem através da qual o amor é compreendido.
Sobre o autor
Sou um observador nato, apreciador das coisas simples e inestimáveis da vida, que não abre mão de estar junto de quem mais amo: família e amigos.
Autor(a): CICERO TIAGO ALENCAR NOBRE (Tiago Nobre)
APCEF/PE