Sono da Tarde

Sono da Tarde

Cale-se o mundo. O bebê adormeceu!
Parem as máquinas, prendam o proletário em suas casas, parem a burguesia, arranquem dos ônibus os pneus, queimem os automóveis da tarde.
Dorme um bebê.

Fechem o céu em perene cinza, recolham as janelas, portas e telhados.
Desliguem as notícias, a tela azul, acabe a corrida, não fale, não grite , não tente.
Respire, o bebê dormiu.
Devolvam o petróleo ao solo, interrompam as luzes da Bovespa, fechem as fábricas. Calem todos os humanos, o bebê dorme, já disse!

A terra ainda gira, a tarde jaz em noite morna, os homens temem pois não há lua
O bebê se agita em colo parabólico, todos se olham e se desesperam

Acordem, acordem! O bebê chora.

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Inspiração

O grande desafio de cuidar de um ser tão pequeno e indefeso diante do caos que é a vida adulta.

Sobre a obra

Poema baseado na minha recente experiência paterna. Mostra as tensões e desafios de prover a tranquilidade a nossos filhos diante de um mundo caótico.

Sobre o autor

Sou funcionário da Caixa há 16 anos e tenho a escrita e a fotografia como forma de ampliar minha relação com o mundo.

Autor(a): JONATHAS FRAGOSO CARVALHO (Jonathas Fragoso)

APCEF/BA