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Purgatório
Carrego lamúrias sufocantes em meu peito
Devido a caminhos tortuosos que segui
Tão longa é a estrada da amargura
Que na névoa espessa que a cobria, me perdi.
Senti o peso dos grilhões imaginários
A cada passo rumo à tentação
Com uma bússola sem agulha imantada
Que me levava, de forma vil, à perdição.
Ouvi a estrondosa voz da minha culpa
A fulgurar com violência já prevista
E os demônios no meu íntimo, com ardil
Me ludibriavam de maneira nunca vista.
Vi o que eu tinha de mais puro esmorecer
Como uma árvore que seca lentamente
E a minh’alma sem valor, já putrefata
Não é nem sombra do que foi antigamente.
Chorei de maneira compulsiva
Ao me olhar no espelho da verdade
E o reflexo, sem vida, me olhava
Com seus olhos julgadores de maldade.
Corri procurando um refúgio
Por labirintos nunca antes explorados
Onde a saída me conduzia ao mesmo ponto
Mas com as mãos, e até os pés, atados.
Criei mentiras para aliviar a minha culpa
Ou talvez para manter a sanidade
Cavando assim uma cova sem limites
Me desprendendo da mais pura realidade.
Lutei contra minha própria consciência
Em uma batalha odiosa e violenta
Onde a espada que apunhala a razão
Traz consigo a história mais sangrenta.
Balbuciei palavras desconexas
Como forma de pedir a salvação
Mas quem habita no abismo da tristeza
Não consegue alcançar a redenção.
Inspiração
Durante um sonho, que me pareceu muito real, a sombra de um homem me clamava por socorro. Ele estava em lugar que me pareceu o purgatório, ao me aproximar ele sussurrou essas palavras, que transformei em poesia.
Sobre a obra
Eu entendo que a poesia, assim como a arte de uma forma geral, é livre. Não me apego a regras, estudos ou técnicas, apenas faço o que o coração manda.
Sobre o autor
Sou membro das acadêmias de letras de Cabo Frio (RJ), São Pedro da Aldeia (RJ) e Federação Brasileira dos Acadêmicos de Ciências, Letras e Artes.
Possuo os títulos de Mestre Acadêmico e Dr. Honoris Causa em Literatura, além de ter sido campeão nacional do Talentos Fenae em 2017 na modalidade poesia e também contos&crônicas.
Autor(a): ADOLINO SILVEIRA JUNIOR (Adolino Poeta)
APCEF/SC