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Sala de Espera
SALA DE ESPERA
Consultório médico neurológico lotado, aquela espera sem fim, pessoas em
silêncio, de cabeça baixa olhando seus celulares, revistas esquecidas na
bancada, ar-condicionado gelado.
Nesse cenário, duas pessoas chamam a atenção, sentadas lado a lado: uma
moça com o braço enfaixado e um senhor muito bem-vestido.
Depois de alguns minutos, o senhor quebra o silêncio:
— Desculpe perguntar moça, mas o que aconteceu com seu braço?
Ela olha com certa reprovação e se pergunta por que algumas pessoas não
conseguem cuidar da própria vida.
— Por que o senhor quer saber?
Ele fica sem graça:
— Me desculpe. É que vi esse ferimento e fiquei preocupado.
Ela percebe que foi grosseira e se constrange:
— Não, desculpe você. Hoje não foi um dia fácil para mim. Eu machuquei o
braço enquanto tentava vestir o meu pai, que já não consegue fazer algumas
coisas sozinho.
O senhor, com empatia, fala:
— Imagino como deve ser difícil.
Ela continua:
— Tem dias em que ele colabora. Em outros, parece que faz questão de
dificultar tudo.
Ele responde:
— Talvez ele também esteja aprendendo a depender de alguém.
De repente, ele pensa um pouco e continua:
— Seu pai tem sorte de ter uma filha que cuida dele assim, com tanta
dedicação.
Ela responde:
— Nem sempre ele acha isso.
— Pais são complicados.
— O senhor nem imagina o quanto.
Ele sorri discretamente.
Nesse momento, a atendente anuncia:
— Senhor Francisco! Consultório dois!
Então a moça se levanta, aproxima-se dele e diz:
— Vamos, pai?
Inspiração
Minha mãe passa por isso constantemente. Isso é só uma história para exemplificar o que eu e minha irmã passamos com ela e trazer a reflexão sobre o tema
Sobre a obra
Nessa crônica, eu quis trazer a realidade das pessoas com alzeimer e seus conflitos familiares. As técnicas centrais dessa história são omissão estratégica + falsa impressão + ironia situacional + diálogo + quebra de expectativa + plot twist final.
Sobre o autor
Eu sempre gostei de ler e escrever, já consumi muitos clássicos literários nacionais e internacionais. Mas amo poder me expressar de maneira não convencional, ou seja, artística e quero compartilhar minha forma de ver o mundo com as pessoas
Autor(a): MARCELO DE MEDEIROS MELO (Medeiros Melo Versos )
APCEF/RN