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SINAIS DO TEMPO
SINAIS DO TEMPO
Ultimamente tenho tirado fotos de meu filho e fico a reparar bem para o seu rosto. Não foi um olhar rápido, de rotina, mas um exame detido, quase arqueológico. Aos 11 anos, ele está num limiar curioso, e a mudança acontece numa velocidade vertiginosa, quase palpável, dia a dia. Os traços redondos e macios da infância estão sendo substituídos, timidamente, por outros mais angulosos, mais definidos.
E, confesso, uma pontada de nostalgia me atinge antes mesmo de a porta se fechar por completo. Sinto uma saudade antecipada daquela infância que teima em ir embora, que escorre pelos dedos como água. Fecho os olhos e sou transportada para os momentos no parquinho, para aquelas conversas sem pé nem cabeça, mas repletas de risos fáceis e compartilhados que enchiam a casa de vida. Volta e meia vejo um vídeo ou foto dele na infância de algum momento compartilhado que ficou para a traz.
No entanto, a nostalgia não vem sozinha. Ela é acompanhada por uma estranha brisa de mudança. O mau humor típico da adolescência começa a se instalar, como um hóspede inesperado que não foi convidado, mas que já se sente em casa. Os acessos de raiva, antes raros e passageiros, agora são tempestades passageiras, mas intensas. E o mais desafiador: ele começou a questionar regras que antes eram verdades absolutas.
Esses questionamentos, esses novos comportamentos – por vezes desafiadores, irritantes até – são, no fundo, dolorosamente normais. São os sinais evidentes do tempo. Ele não está apenas crescendo; ele está se tornando um indivíduo. E embora meu coração de mãe balance entre o desejo de protegê-lo para sempre e a necessidade de soltá-lo para o mundo, vejo em cada mudança, em cada questionamento, a prova mais bonita de que ele está a caminho da sua própria história. É o curso natural da vida, e, no fim das contas, é um privilégio e tanto testemunhar tudo isso. Porém em muitos momentos a vontade que dá é de querer parar o tempo como fala na letra da música da Sandy.
Inspiração
Minha inspiração foi o momento de transição da infância para adolescência que estou passando com o meu filho e os vários momentos de nostalgia e saudades.
Sobre a obra
O texto nasceu de uma observação cotidiana com foco na fluidez e na emoção materna, unindo a nostalgia e a aceitação das mudanças.
Sobre o autor
Amo viajar, conhecer lugares novos e também artes, fotos, leitura e escrita!! uma boa poesia
Autor(a): ALINE SANTOS BARRETO (ALINE)
APCEF/BA
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