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Do "ramo" ao Rumo
Do “ramo” ao Rumo
Feira. Lá vamos nós eu e meu pai. Sexta-feira. Que sono. Ele já pensa na senhora que vai dar um troquinho, bora ajudá-la. Sempre o vi ou ouvi suas histórias que minha mãe contava, sempre ajudando. Minha mãe dizia: - Tinha mês que não recebia salário”. Porque não cobrava das pessoas o valor do arroz feijão, óleo e outras mercadorias que vendia. Era cobrador. Semelhante ao Mateus bíblico. Mas já convertido em tantas bondades.
Mas minha mãe sempre dizia: - “Nunca nos faltou nada, muito menos alimento”.
A presença de Deus na vida do meu pai e minha mãe foi marcada por muitas bençãos. A primeira quando ele tinha apenas 12 anos. Pegou um "ramo" como diziam na época. Interior da Paraíba. Na verdade, um derrame. Estavam assando milho ele e seus irmãos. Quando saiu de dentro de casa e passou pelo corredor, que levava até porta da frente, e assim toma todo aquele vento cortante. Caía por terra. Sua mãe ouve os gritos e sai correndo do milharal. Ao ver seu filho Manoel caído no chão, praticamente sem batimentos, uma parte do corpo já paralisada. Chora. Colocaram uma vela em suas mãos. Já sinalizando o pior.
Diante desta situação, sua mãe, minha vó Joana, fez uma promessa, se ele saísse vivo e sem sequelas iria de pau de arara (um caminhão com a carroceria adaptada para carregar pessoas,), um veículo, diga-se de passagem, precário, a Juazeiro do Norte. Ela pediu a intercessão de Nossa Senhora das Dores nesta causa. Naquele momento, ainda desacordado, sua devoção começa a encontrar um “rumo”, como diziam. Seu pai Sebastião, meu avô, saiu a procura de ajuda. Sente forte, uma voz interior dizendo para dar uma injeção nele, que iria voltar. Sai atrás desta injeção. Consegue. E sai às pressas para aplicarem. Meu pai não sabe qual foi a injeção, e do que era composta. Àquela altura, nem precisavam. Ao aplicá-la, meu pai retorna. Como num milagre. Grato a intercessão de Nossa Senhora das Dores pede a mãe e ao pai para irem com ele de pau de arara até Juazeiro do Norte. A vó Joaninha como a chamávamos, volta atrás e tem medo de fazer este percurso, e meu vô também. Resta a ele, uma criança de doze anos, cumprir a promessa. Cumpriu e trouxe uma imagem, impressa naquelas madeiras finas antigas, que permanece até hoje com ele, aos 82 anos. Tudo isto para mostrar que mesmo diante de desafios e dificuldades, desde pequeno, sempre carregou no coração a alegria e vontade de viver. E a gratidão por esta nova vida.
Já parou o carro no meio da rua para entregar roupa aos mais necessitados. Uma vez minha mãe separou alguns lençóis, roupas para doar, deixou tudo na lavanderia. No dia seguinte ela estava procurando alguns lençóis, que não eram para a doação, advinha, meu pai tinha doado tudo. Só sobrou a risada dos dias sem lençóis. A mágoa e o rancor não fazem parte de um homem, que é só alegria. Acorda sorrindo e agradecendo. Sempre foi assim. Uns dos fatores de sua longevidade: agradecer, sorrir e não guardar mágoas. E se doar.
Num mundo que muitas vezes prega a individualidade, meu pai é mais para Cora Coralina: “Fiz a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”.
Inspiração
A inspiração é a própria vida do meu pai. Quero escrever um livro sobre suas histórias de vida e sobrevivência.
Sobre a obra
Gosto de escrever. E já fiz curso de escrita criativa faz um bom tempo. E como sou formada em Publicidade , aprendi técnicas de braisntorming, e vou colocando as idéias no papel e a partir daí veio meu texto.
Sobre o autor
Sou formada em Publicidade e Propaganda, com pós em Gestão Pública, alguns cursos na área de TI, sou curiosa e amo a criatividade. Estou começando a fazer crochê para focar e relaxar e sair do celular um pouco. Acredito que não podemos perder o "dom" da criatividade e precisamos exercitá-la também.
Autor(a): ADRIANA APARECIDA AUGUSTO (Adriana)
APCEF/SP
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