A namorada do Asa Branca

Conta a lenda que, em 1980, dois grandes amigos, Afonso e Nazareno, conseguiram o seu primeiro emprego na FUNAI (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) após terem cursado o ensino médio na Escola Técnica Agrícola em Castanhal (PA).

Logo nos primeiros dias de trabalho, receberam a notícia de que iam exercer suas atividades de proteção àqueles povos em duas aldeias distintas: Ribeirão e Lajes, as quais ficavam localizadas a 200 km da cidade de Guajará-Mirim, estado de Rondônia, na fronteira com a Bolívia. As estradas que levavam às aldeias eram quase intransitáveis; muito esburacadas e com diversos atoleiros devido às chuvas recorrentes.

Naquela época, o carro mais cobiçado pelos rapazes era o Puma GTI 1.6, grande sucesso nacional pelo seu design e exclusividade, pois possuía linhas esportivas marcantes, perfil baixo e grande apelo visual que atraía a atenção em qualquer lugar.

Entretanto, o salário que os amigos recebiam na FUNAI não era suficiente para cada um ter o seu tão sonhado Puma e, assim, tiveram uma ideia inusitada. Resolveram comprar um lindo Puma de cor branca em sociedade e combinaram de deixá-lo guardado na cidade de Guajará-Mirim enquanto trabalhavam nas aldeias. A cada final de semana, um deles iria até o carrão levar as gatas para curtir o “Asa Branca”, apelido dado ao carro pelos amigos devido à sua cor branca lembrar o grande sucesso musical da época, interpretado por Luiz Gonzaga.

E, assim, a cada volta de final de semana, um dos amigos vinha cheio de histórias para contar das loucuras vividas com o Asa Branca, sempre lembrando de festejar a maravilhosa ideia que tiveram de comprar o carro em parceria.

Na volta de um final de semana, Afonso contou que estava apaixonado por uma moça que conhecera. Falou que havia parado de sair com as inúmeras gatas que apareciam a todo momento e que estava sendo fiel somente àquela moça, a qual já estava considerando como sua namorada fixa.

Nazareno achou muito legal o momento que seu amigo estava vivendo e também confidenciou que estava namorando firme com uma moça que havia conhecido. Nessa noite, os dois brindaram à decisão de deixar a vida de orgia com o Asa Branca para, quem sabe, caminhar até o altar.

Assim, foram meses de namoro sério, até que um dia Afonso informou que sua namorada estava doente e, por isso, não poderia ir a uma grande festa na cidade. Desse modo, liberou o seu final de semana para o amigo usar o carro.

Nazareno lamentou a enfermidade da namorada de Afonso, mas, ao mesmo tempo, alegrou-se porque, justamente naquele final de semana, a sua namorada havia pedido que ele tentasse trocar de turno com o Afonso, para que ela pudesse ir à famosa festa com o Nazareno.

Ao ouvir tamanha coincidência, Afonso perguntou ao Nazareno se tinha alguma foto da namorada dele, alegando que não tivera o prazer de conhecê-la, visto que os finais de semana eram sempre diferentes.

Nazareno abriu sua carteira, tirou uma foto 3x4 e a mostrou ao amigo.

Era a mesma namorada. Na verdade, ela namorava era o Asa Branca, e não eles.

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Inspiração

Gosto de ouvir histórias dos amigos. E esta, em especial, me encantou pelo momento cômico que meus dois amigos viveram. Transformei imediatamente em um conto.

Sobre a obra

Apresentei um conto de humor, como narrador observador.

Sobre o autor

Já participo desde 2013 na categoria Conto e leio bastante para conhecer melhor as técnicas, em busca de melhor apresentação.

Autor(a): FRANCISCO ALENILSON GIRARD DA SILVA (Alê)

APCEF/PA