Talentos Fenae/Apcef

Morri Trezentas Vezes

Morri trezentas vezes
E tantas outras
Ainda a contar
Morri de saudade de mim
Um passado sem fim
Sigo a me remontar

Antropofagia
Tardio Capitalismo
LER e azia
Meu sui-vampirismo
Tecnologias
Me afastando
De quem eu amo
8 horas-dia
Produtivismo

Por meu próprio nome
O algoritmo me deixa
Passar fome
É quase místico
Isso que me consome
Meu senso crítico
É um monstro insone
Canibalístico

Danço sobre os cacos do que não posso curar
Choro nas coxias depois de impressionar
Nada do que eu faça fará o ciclo parar
Minúscula peça sigo a me remontar

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Inspiração

Me inspirei na crescente frustração da geração millenial - a mais promissora e a mais fracassada, à qual foi prometido o mundo quando concluísse a faculdade e arrumasse um emprego. Hoje não possui nem as músicas que escuta em subempregos. A casa propria é um sonho distante e a vida se resume a doomscrolling, antidepressivos e nostalgia.

Sobre a obra

O de sempre: papel, caneta, desespero.

Sobre o autor

Vivo arte em seus diversos formatos. Gosto de interações e intervenções. Às vezes me pego desenhando música, cantando um desenho ou dançando um filme.

Autor(a): FERNANDA LIZ PINO DE JESUS (Nanda)

APCEF/BA


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