Os sons da minha cidade

Os sons da minha cidade (e as dores do meu ouvido)
Sabe quando a memória decide te dar um susto no meio do dia? Outro dia me peguei lembrando dos sons da minha infância na Praça Sete, bem no coração de Belo Horizonte. Isso tem tanto tempo que é capaz do próprio Pirulito da praça sete ainda ser jovem na época. Eu ia direto ao escritório do meu pai no centro e a praça era um espetáculo à parte.
O destaque ficava para os vendedores de bilhete da Loteria Federal. Eles não vendiam números, vendiam a fauna inteira! Era uma disputa de decibéis para ver quem gritava mais alto:
— OLHA A VACA! OLHA O PORCO!
Quem passava por ali sem entender o contexto achava que o Centro de BH tinha virado uma fazenda desgovernada. Tinha também os vendedores cegos, que deixavam a gente de queixo caído. Eles manuseavam o troco e os bilhetes com uma precisão cirúrgica só pelo tato. Eu ficava ali, com cara de bobo, tentando adivinhar como eles sabiam a diferença entre uma nota e outra sem dar uma espiadinha.
Com o tempo, entendi que cada um interage com o mundo por um sentido predileto. O meu sempre foi a audição — o que é uma bênção quando toca aquela música boa, mas uma maldição quando o vizinho resolve usar a furadeira às sete da manhã de um domingo.
Já a turma da visão vive em outro planeta: repara na paleta de cores da parede, na luz do entardecer e na combinação das roupas. Se a luz estiver bonita, a vida está ótima.
E temos, claro, os sinestésicos e tateadores de plantão. Esse é o pessoal do "deixa eu pegar para ver". Não conseguem comprar uma camiseta sem passar a mão no tecido e julgar a costura. Adoram andar descalços na areia da praia e têm crises existenciais se a etiqueta da blusa arranhar o pescoço.
No fim das contas, a gente divide o mesmo espaço, mas cada um vive na sua própria frequência: uns ouvindo bichos no meio da praça, outros tateando tecidos e alguns só admirando a paisagem.
E você? Interage com o mundo pelo ouvido, pelos olhos ou precisa encostar em tudo para ter certeza de que existe?

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Inspiração

Recentemente tive uma lembrança dos sons que ouvia na minha infância na praça sete em BH, lembrei da PNL sobre os sentidos que temos e encaixei um com o outro

Sobre a obra

Em estilo livre fiz uma crônica do dia dia, demonstrei as três características dos sentidos e características de cada um.

Sobre o autor

Sou um observador do mundo, reparo nas coisas do dia a dia, como fotos, textos e tudo mais. Resolvi colocar no papel a minha história, pelo menos um pequeno capitulo dela.

Autor(a): PAULO WILSON SILVA ABRANTES (PAULO ABRANTES)

APCEF/MG