- Página inicial
- Detalhe obra
Amanhecendo, amaremos?
Amanhecendo, amaremos?
A cidade dormia, mas Clara continuava acordada.
Sentada junto a janela, observava a chuva escorrer pelo vidro, levando consigo os reflexos trêmulos das luzes da rua.
Atras dela uma música antiga preenchia o silencio. Dessas que parecem saber falar tudo aquilo que não conseguimos dizer.
Naquela noite ela havia sido amada.
Ou, pelo menos, era o que parecia.
Havia sido olhada como quem realmente é encontrada.
Tocada como quem é desejada.
Acolhida como quem, depois de tanto tempo, pode baixar a guarda
Clara quis acreditar
Talvez porque estivesse cansada de ser forte.
Talvez porque algumas noites nos façam desejar que o instante seja eterno... E mergulhamos no desconhecido da louca sensação do sentir
Mas a noite passa.
E o amanhã tem o hábito de devolver às coisas o seu verdadeiro nome.
Enquanto o céu clareava, Clara compreendeu que não era a promessa do amor eterno que procurava. Era algo mais simples e, talvez, mais difícil: Aquilo que parecia amor à noite continuaria sendo amor à luz do dia?
Quando a luz revelasse tantos outros atores e cenários?
Descobriria então que o amor não necessariamente precisaria vencer o tempo, precisa apenas sobreviver a manhã e mais uma e outra depois.
Clara abriu a janela.
A chuva havia parado.
E pela primeira vez dentre tantas outras ela entendeu que não precisava saber se seria amada amanhã.
Porque muitas história não prometem o “para sempre”. Não se trata de uma competição de qual será a mais duradoura. Cada dia é um dia, inclusive alguns dias demoram uma eternidade para passar e ainda são 11h e 30.
Permanência não pode ser confundida com amor
E talvez o mais assustador tenha sido perceber o quanto Clara desejava acreditar nisso.
Mas todo amanhã continua sendo uma pergunta
E há muita felicidade em não ter mais medo dessa resposta.
Inspiração
Minha inspiração para escrever esse conto vem da musica "Will you still love me tomorrow" da banda The Shirelles. Baladinha clássica dos anos 60
Sobre a obra
Nada como sentar à janela num dia de chuva e pensar sobre a vida. Texto livre, tecnica circular de reflexão
Sobre o autor
Sempre gostei de escrever para me expressar. Desde pequena fascinada em leituras impactantes do viver e sentir.
Autor(a): Luciana da Silva Pereira Magalhães (Luciana Magalhaes )
APCEF/DF