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Bituca, Esperanza e Eu em Moscou

Bituca, Esperanza e Eu em Moscou...

Era início de uma tarde, meio quente, meio fria, perto do meio dia em algum lugar do verão Russo, havia uma espécie de espelho d’água e, nós caminhando por ali aproveitando o solzinho. Bituca e eu, entre comentários e silêncios.
As pessoas passavam e passeavam em suas vidas cotidianas, estranhos éramos nós, dois Brasileiros naquela viagem no tempo, na Rússia. Notei que algumas pessoas entravam na água e, caminhavam sem nenhum receio de molhar os sapatos e calças. Senhoras, homens, crianças, tudo muito normal. Lembrei da Lagoa da Conceição*, quando eu passeava com Maria, Georgia, Consuelo, as meninas, enfim. Não sou de saudades, mas, ‘lembrança boa é quase um sonho’.
Seguimos Bituca e eu, até um ponto, um recorte Brasileiro naquela paisagem Russa, um pequeno quiosque de rua, tipo balcão, servindo cafés e lanches, com atendentes brasileiros brancos e negros e, seu costumeiro gingado e bom humor.
¬- E aí chefia? - stop motion...
Eu e Bituca escolhendo entre coxinha, pastel e um pingado, estas nossas coisas... Um rapaz de uns vinte e poucos, saído da cozinha de alguma escola de samba carioca, olhava meio curioso, ou desconfiado. Estava escurecendo ‘russamente falando’ lá pelas 16:30 eu acho... Não sou muito bom nisso... Bituca me disse que ia logo ali e, já voltava. Fiquei ali tranqüilo... entretido em meus pensamentos meio felizes de estarmos juntos, tão longe de casa. Ser músico e acompanhar o Milton, nem no meu sonho mais ‘Chapante’, eu teria sonhado. Verdadeiro presente dos Deuses. O alarido do Boteco Brazuca Russo, seguia forte, Bituca estava demorando, pensei, relaxa ele já vem...
Toca o Móvel e Esperanza do outro lado, pede para falar com Milton sobre o show de Moscou. Digo a Esperanza que, logo ele liga de volta...
E, o Milton? O rapaz do quiosque chega perto e pergunta:
- Teu amigo não é o Milton Nascimento?
- Sim é ele mesmo, estamos em giro pela Europa... - Respondo.
Ele fica todo feliz e diz que é um Caçador de Mim... Coisa Boa sermos reconhecidos mundo afora... Milton? Saio a procura e nada. Perguntas? Ninguém viu um Homem Negro de Bonézinho, caminhando devagar...
Toca na minha cabeça ‘Para Lennon e Mac Cartney’ “por que vocês não sabem do Lixo Universal” Não! Ocidental... Bituca, Bituca! Foi pro hotel, se perdeu? Foi raptado? E, o Milton e, o Show? Cadê Bituca, me desespero.
Passo diante a uma loja e ouço a Voz Potente dele cantando “I Want you (She’s so heavy), do Abbey Road, Bituca rasgando a voz. Eu nem sabia que ele tinha gravado esta... Um das minhas preferidas...
Eu, sem Milton, ele foi embora, nós sem Milton... A Voz... brrr...
A voz de Esperanza no fone... Ironicamente foi a última vez que eu vi Milton, na voz de Esperanza Spalding. Ela e eu já sem esperanças...
Acordei confuso, este álbum de recortes fotográficos ainda povoa meu sono e sonhos. Salve Bituca Milton Nascimento! De tanto amor, de tanta emoção! Amigo é coisa pra se guardar, para sempre, dentro do coração... 0402202510hJHouse

*Lagoa da Conceição – Florianópolis,SC - Brasil

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Inspiração

Uma Homenagem em forma de ficção ao Grande Músico Brasileiro - Milton Nascimento

Sobre a obra

Uma passeio fictício, sobre a vida de um grande artista e suas viagens e parcerias pelo mundo dos Shows, turnês e seus encontros e desencontros. Além do Glamour a pessoa que está sempre evoluindo e mudando...

Sobre o autor

Jorge Hugo Souza Gomes, o Jottagá, em atividade desde 1980, participando da Música, do Teatro, da Literatura e da Televisão no Sul do País. Fundador da Banda Fróide Explica. Em 2026 Lançou o Livro Alucinógeno na Água, Coletivo Poético. Segue Fróide Explica, levando irreverência e alegria, através da sua Marca Registrada -

Autor(a): JORGE HUGO SOUZA GOMES (Jorge Hugo Souza Gomes)

APCEF/RS