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À vossa rara grandeza
À vossa rara grandeza
Ó fátuo de porte augusto,
de tão sublime opinião,
trazeis a paz soberana
de quem dispensa instrução.
Pedante de voz solene,
mendaz de rara elegância,
tartufo de mãos devotas,
janota de vã importância.
Douto de frases alheias,
que prodígio de saber:
basta-vos ler uma linha
para o mundo compreender.
Ó servil de ar tão prudente,
da verdade guardião:
aos grandes poupais perguntas,
aos demais dais a lição.
Estulto de alma serena,
sacripanta de fino verniz,
se os fatos vos contradizem,
que saibam ser mais gentis.
Ó grandeza tão completa,
tão digna de exposição:
em vós, a moldura é imensa —
e a tela mera reprodução.
Inspiração
A obra critica, com humor e ironia, a superficialidade da informação na sociedade atual, sobretudo nas redes sociais, e a arrogância de quem lê apenas títulos, assume autoridade e transforma opiniões rasas em suposta sabedoria. É uma homenagem às avessas à vaidade, à hipocrisia e à ignorância exibidas como conhecimento.
Sobre a obra
Para compor o poema em seis quadras, pesquisei insultos eruditos que pudessem ser ingenuamente confundidos com elogios. Com linguagem solene e ironia construí uma falsa exaltação de pessoas rasas que, com soberba, ostentam um saber vazio.
Sobre o autor
Sou um artista multidisciplinar e transito pela fotografia, pelas artes visuais, pela música e pela literatura. Em diferentes linguagens, busco transformar experiências, memórias e elementos cotidianos em obras sensíveis que convidem à reflexão, à imaginação e ao encontro com o outro. Minha criação nasce do afeto e de um olhar atento para a vida.
Autor(a): FABIANO RIBEIRO (Fabiano Ribeiro)
APCEF/SC
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