Sangria

Sangria

Tanto amei
Perdi a conta do quanto
E me acostumei às facas
Me sinto nu, sem feridas
Me sinto seco, sem pranto
Tanto amei
Ah! Se o tempo fosse tanto
De um tamanho sem par
E se a vida fosse mais
E descuidasse de nós
Eu ia brincar de amar
Tanto amei
Guardei tantas cicatrizes
Cri em tantos contos incríveis
Me feri, vi curar
E a vida com essa mania
Usando a dor pra me ensinar
Que o cheiro doce e forte
Do sangue em flor
Compensa o corte
Compensa a dor
E meu cigarro
Feito um facho
Clareia as marcas
Que eu tanto quis
E como o fogo
Tempera o aço
O tempo me fez cicatriz
Fiz tantas feridas
Só pra ser feliz
Tempo
Me diz que ainda é cedo
E eu guardo em segredo
Juro, que eu guardo segredo
Só pra lembrar
Tempo
Tenho tanto medo
Essa é um brinquedo
Que breve, quebra
E essa neve que gela meu corpo
É uma insensatez
Tempo amigo me diz
O que foi que você fez
Quero os cortes
Quero as marcas
Quero amar
Tudo outra vez

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Inspiração

O sangue. De um corte, por faca.

Sobre a obra

A obra é um poema. Creio ser impossível descrever técnicas.
"Mas, afinal, para que interpretar um poema? Um poema já é uma interpretação." — Mário Quintana

Sobre o autor

Acredito que meu maior talento - se é que se possa chamar por esse nome - seja a perseverança.

Autor(a): LAUDISMAR DEPTULSKI (Dimas Deptulski)

APCEF/ES


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