NA FARMÁCIA

NA FARMÁCIA – Luís Lins

Você viu os caras lá fora? Eu pensei que eles iam me anunciar o assalto, na hora que a gente abriu a farmácia.
A gente olha pelas câmeras, antes de abrir a loja para o público.
Só tô vendo um.
Deve ser o chefe da quadrilha. Os outros estavam ali na faixa de segurança, fingindo que iam atravessar a rua. Devem estar escondidos por aí.

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Porra! Essa farmácia que não abre. Vou me borrar aqui mesmo. Não tem nem uma moita, se a coisa apertar. Ainda bem que o hotel é perto. São 7h15. Pra que eles dizem que abre às 7h? Era melhor dizer o horário certo.

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Deve ser cliente.
É nada! Eu conheço a vizinhança. Ele não tem cara de morador daqui.
Você conhece como?
Pelas roupas, ... pela cor. Olha lá. Ele botou a mão nas costas. Vou chamar a polícia.
Chama então, que eles abordam e vêem se é assaltante. Se não for bandido, ele que se explique.
Eita! Chegou outro. Fez sinal para o chefe. Chama logo a polícia.

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Eita! Não tô aguentando. Será que tem banheiro lá dentro? Nunca vi ninguém ir no banheiro numa farmácia.

...

Bora! Perdeu, perdeu!
Calma! Sou da paz; tô esperando a farmácia abrir. Eu vou tirar o celular do bolso de trás pra lhe entregar, certo?
Que celular, que nada. Celular é com o meu colega. Me dá a aliança… ligeiro.
Pronto! Me caguei.
Bora, playboy. Perdeu.
De novo?! Eu fui assaltado agorinha!
Problema teu. Bora, ligeiro.
Calma! Eu sou da paz. Vou tirar o celular do bolso de trás pra lhe entregar.
Que celular, porra! Passa o relógio. Eu não pego celular, não … é tudo rastreado... celular, só com Haroldo.
Agora escorreu pela perna. Vou ter que comprar outra roupa.

…

Bora… passa o celular!
Haroldo?
E eu te conheço?
É que você é o terceiro que me assalta hoje.
Vou reclamar. Não era pra eles dizendo meu nome por aí.

…

Polícia! Mão na parede! Abre as pernas.
Que bicho frouxo! Se borrou, foi, cidadão?

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Inspiração

Nem sempre há paz, nem sempre conseguimos ir e vir. Algumas barreiras dificultam nossa convivência.

Sobre a obra

Numa linguagem bem-humorada, o texto conta a história do que poderia ser um acontecimento banal de uma cidade grande, mas que se transforma numa grande confusão, em face da violência urbana e do preconceito.

Sobre o autor

Nascido em Recife, em maio de 1961, Luís Lins iniciou-se nas artes visuais nos anos
1980. A partir de 1991, realizou de diversas exposições de pinturas, criando gosto
também pela fotografia e pela escrita. Sua obra compõe uma trajetória sensível e
coerente, marcada pela busca constante da beleza e da emoção no cotidiano.

Autor(a): LUIZ HENRIQUE LINS BARROS DE CARVALHO (Luís Lins )

APCEF/PE


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