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Vida Ribeirinha
Vida Ribeirinha
O tempo aqui não corre,
navega.
Dorme no remanso,
deságua no rio-mar.
Quem vem da pressa do asfalto,
amarrado em relógio e meta,
olha esse nosso silêncio da beira
e jura que é preguiça.
Não entende que o corpo da água
tem a mesma pressa da maré,
sabe a hora de vazar
e o tempo certo de encher.
Água grossa, cor de barro.
O banzeiro dita o ritmo de tudo.
A fartura não se tranca em cofre,
tá no paneiro de açaí,
no mapará que bate na rede,
na calmaria que sobra depois do temporal.
Nessa nudez de ser só vento,
o remo corta o barulho que a cidade inventa.
Riqueza é ter a alma leve
pra flutuar no fundo,
deixando a vida seguir no rumo
de quem nasce e se cria na beira,
onde o rio é estrada,
é o chão de toda vida ribeirinha.
Inspiração
Vida Ribeirinha foi inspirada no meu pai, que tinha alma de ribeirinho e espírito livre. A obra mostra a vida simples de quem mora à beira do rio, povo da água. Muitos dizem que são acomodados, mas na verdade eles quem sabem qual é a verdadeira riqueza dessa vida.
Sobre a obra
Escrevi este texto em formato de poesia, sem grandes técnicas apenas tentando colocar sentimentos em palavras. Ele começou a nascer no ano passado, mas ficou inacabado. Foi o Talentos FENAE que me inspirou a retomar a escrita e dar vida novamente às palavras.
Sobre o autor
Desde pequena eu tinha um livro de poemas, mas com o tempo ele foi ficando esquecido. Meu pai sempre escreveu belíssimas obras e sempre me inspirou. Porém, na correria do cotidiano, deixei de lado essa aptidão. Agora tento retornar, com a oportunidade que o Talentos FENAE proporciona.
Autor(a): ILANA FIGUEIREDO RIBEIRO (Ilana Ribeiro)
APCEF/PA