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A menina que Deus me confiou

A menina que Deus me confiou

Outro dia me peguei olhando para você e tentando entender em que momento aquela menina de olhos doces cresceu.

Talvez as mães tenham esse defeito bonito: o tempo passa para os filhos, mas dentro delas os filhos continuam morando em algum lugar do passado. Continuam sendo sempre pequenas crianças que necessitam do aconchego e da proteção da Mãe.

Para mim, você ainda tem oito anos.

Ainda consigo enxergar aquela menina que chegava, muitas vezes durante a noite, depois de uma longa estrada ao lado do seu pai, só para me encontrar.

Eu estava em outra cidade, enfrentando uma doença dura e cruel, um câncer que surgiu durante a gravidez da sua irmã. Havia dias de medo, cansaço, medicamentos e quimioterapia. Dias em que eu precisava reunir forças para continuar.

E então você chegava.

Não trazia remédio.

Não trazia respostas.

Trazia apenas você.

E, de alguma maneira que só o amor explica, isso era suficiente.

Seu abraço parecia dizer que eu precisava ficar. Que ainda havia muito para viver.

Você era pequena demais para entender o que estava acontecendo. Talvez nem soubesse o quanto aqueles encontros significavam para mim. Mas eu sabia.

Enquanto eu lutava pela vida, você me ensinava, sem perceber, a ter coragem.

Hoje, tantos anos depois, compreendo que Deus cuidou de mim de muitas maneiras naquela época. E uma delas tinha o seu rosto.

É difícil explicar o que uma filha representa para uma mãe.

Você não é apenas alguém que eu vi crescer.

Eu vi você atravessar a infância, superar medos, descobrir seus sonhos e construir, pouco a pouco, a mulher que hoje está diante de mim.

E, quando olho para essa mulher aos 20 anos, sinto orgulho.

Orgulho da sua inteligência, da sua dedicação, da sua solidariedade, da sua força. Mas, principalmente, orgulho do seu coração.

Porque a vida pode ensinar muitas coisas, mas não consegue ensinar aquilo que já nasce dentro da gente.

E você nasceu com delicadeza.

Nasceu com amor.

Nasceu com essa capacidade bonita de se importar, de gostar de servir ao próximo.

Talvez seja por isso que, mesmo depois de todos esses anos, eu ainda consiga encontrar a minha menina dentro da mulher que você se tornou.

Hoje você completa 20 anos.

E eu penso em tudo o que já vivemos.

Penso naquela estrada percorrida durante a noite.

Penso nos encontros no hospital.

Penso no medo que tivemos.

Penso na sua irmã, que ainda estava dentro de mim.

Penso em como Deus nos sustentou quando nós mesmas não sabíamos de onde tirar forças.

E penso em como o tempo é curioso.

Naquela época, eu só queria sobreviver para continuar te dando amor de mãe.

Hoje, olhando para você, percebo que Deus não estava apenas me dando forças para sobreviver.

Ele estava me permitindo chegar até aqui para assistir você crescer.

Que presente!

Que privilégio!

Que milagre!

Minha filha, eu não sei quais caminhos você ainda vai percorrer. Não sei quais sonhos se realizarão primeiro, nem quais desafios aparecerão pelo caminho.

Mas sei de uma coisa: você já carrega dentro de si a coragem daquela menina que, aos oito anos, atravessava a noite para encontrar a mãe.

Nunca se esqueça disso.

Quando a vida apertar, lembre-se de quem você é.

Quando duvidar de si mesma, lembre-se do quanto já foi forte.

E quando o mundo tentar endurecer seu coração, escolha continuar sendo essa mulher que sabe ser forte sem perder a ternura.

Eu estarei aqui.

Talvez nem sempre ao seu lado como quando você era criança.

Talvez agora eu precise aprender a acompanhar seus passos de uma distância maior.

Mas estarei aqui.

Nas minhas orações.

Nos meus pensamentos.

Nas minhas preocupações de mãe.

Nas minhas comemorações silenciosas por cada conquista sua.

E naquele lugar onde você sempre esteve: dentro do meu coração.

Se hoje eu pudesse voltar àquela época e conversar com a menina que você era, eu diria:

“Filha, não tenha medo. Um dia você vai entender que tudo isso passou. E vai descobrir que a nossa história, apesar das dores, foi também uma das histórias mais bonitas que Deus escreveu.”

E talvez eu dissesse ainda:

“Você vai crescer. Vai completar 20 anos. E sua mãe vai olhar para você com os olhos cheios de lágrimas, tentando encontrar palavras para explicar o tamanho do amor que sente.”

Mas eu provavelmente não encontraria.

Porque não existe palavra grande o suficiente para explicar o amor de uma mãe pela filha que Deus lhe confiou.

Então, hoje, eu só quero agradecer.

Agradecer pela sua vida.

Pela menina que você foi.

Pela mulher que você está se tornando.

E por ter me permitido ser sua mãe.

Você foi o meu sonho realizado.

Foi força quando eu precisei.

Foi presença quando a distância doía.

E será, para sempre, uma das partes mais bonitas da minha história.

Feliz 20 anos, minha eterna menina.

Que Deus continue segurando sua mão, iluminando seus caminhos e escrevendo os próximos capítulos da sua vida.

E, se algum dia você esquecer o quanto é amada, volte para estas palavras.

Elas são apenas uma pequena tentativa de dizer o que meu coração sabe desde o primeiro dia:

Eu te amo, minha filha. Para sempre.

Para sempre, sua Mamãe. ??

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Inspiração

Minha filha completou 20 anos e quis fazer uma homenagem de agradecimento para ela

Sobre a obra

O texto é uma crônica, fiz da maneira mais simplificada expondo emoções e situações reais

Sobre o autor

Aprendi a gostar de escrever no período em que tive câncer na gravidez, então redigir me trazia paz e a sensação de estar viva. Gosto muito de ler também, além de praticar esportes e estar com minha família

Autor(a): LUCIANA ALVES DE SOUSA BATISTA (Luciana Batista)

APCEF/TO


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