- Página inicial
- Detalhe obra
A BRUXA DA INFÂNCIA
CONTO: A BRUXA DA INFÂNCIA
A fazenda do meu avô Seu Juca, para os mais próximos, ficava no povoado Marmeleiro, no município de São Gonçalo da Mata, localizada em uma terra muito fértil, com água em abundância, muita terra dos dois lados da casa, na frente e atrás, com bastante mangueiras, cajueiros, coqueiros e jabuticabeiras, enfim, uma infinidade de fruteiras. A casa de meu avô na fazenda era muito grande, com muitos quartos, onde abrigava todos os netos que iam passar as férias escolares do mês de Julho. A casa ficava à margem da estrada, na parte mais alta do terreno, possuindo uma visão ampla dos moradores das proximidades.
Na propriedade vizinha, há uns trezentos metros de distância, numa área mais alta, onde possuía uma vegetação mais densa, estava localizada a casa de Joana de Bilina, a “louca” da localidade, segundo meu avô e os moradores do povoado, ninguém se aproximava da casa e poucos tinham contato com ela.
Eu morria de medo, só em ouvir falar, nunca tinha visto o rosto dela, nem ela de perto. Só a via de longe, quando ela passava na estrada em frente à casa da fazenda. Da varanda da casa de meu avô dava prá ver a casa dela, uma casa rústica tipo cabana, construída por ela mesma, utilizando varas de madeira e barro, manipulando com as próprias mãos numa mistura de barro e água na medida certa para aderir às treliças de madeira, formando as paredes e construindo sua casa pelo método que conhecemos como “casa de taipa”, sendo a cobertura efetuada com uma rede de fibra vegetal. A casa possuía 02 janelas e 02 portas de madeira de demolição, doadas pelo dono da propriedade que cedeu o espaço para ela construir, considerando que ela vivia sozinha e não possuía propriedade nem parentes vivos naquela região. Enfim, ninguém conhecia a casa por dentro, tendo em vista que ela construiu sozinha aquela casa.
Eu observava o momento que ela saía de casa, cheia de apetrechos e objetos que ela mesma fazia para trocar por coisas que ela precisava, era uma espécie de “escambo” junto ao pequeno comércio local utilizando o artesanato que ela mesma fazia, assim diziam os vizinhos.
Quando ela passava em frente à casa de meu avô, eu a observava de longe, sempre mantinha distância, se ela olhasse para a casa ou para mim diretamente, eu mudava meu olhar ou entrava prá casa, mas, sempre observando-a, nem que fosse pela fresta da porta principal, tremendo de medo. Pois, todos diziam que se ela olhasse diretamente para os olhos de uma criança, essa criança ficaria cega, contudo, a minha curiosidade era maior e eu a observava ela passar, era uma mulher alta, de cor marrom escuro, muito alta, magra, com cabelos enormes com tranças negras descendo sobre seu corpo, vestia sempre um vestido comprido marrom claro feito de uma espécie de tecido tingido por ela mesma, bem como, usava sandálias bem rústicas feitas de fios de agave que pareciam ter sido confeccionadas por ela também, além de levar em sua cabeça uma cesta feita de cipós do mato.
Aquela vestimenta destoava do ambiente, ou seja, do povoado em que ela morava, no entanto, combinava com aquele ar selvagem, além disso, o tom escuro e a roupa longa ¬¬¬¬¬que cobria todo o corpo, dava um ar ainda mais sombrio e tenebroso, dependendo da hora do dia, ficava ainda mais assustador para as crianças que a temiam.
As conversas sobre ela eram diversas, entre estas, dizia-se que ela ficou maluca porque foi abandonada pelo noivo no altar, outros diziam que ela foi abandonada pelos Pais e ao fugir de casa ficou desmiolada, endoideceu, fico maluca e cegava as crianças que olhasse em seus olhos.
O certo é que se alguém quisesse intimidar um menino ou menina, era só dizer: “se você não fizer isso....” vou chamar Joana de Bilina prá te pegar”. Naquela época, não havia o que chamamos hoje de “bulling”.
Passei toda a infância convivendo com esse enigma, principalmente durante minhas férias, de que a Joana de Bilina pegava as crianças pequenas, deixava-as cega e, ainda, as devorava como se fosse uma bruxa malvada, Quando retornava das férias para iniciar aa aulas na Capital, comentava com meus amigos da escola e todos ficavam curiosos sobre as estórias da “Bruxa”, cada vez mais com pitadas de criatividade eu ia inventando mais coisas para prender a atenção dos meninos e meninas da Escola.
Hoje, ao rever na memória aqueles tempos de criança, lembro daquela mulher misteriosa e agradeço em silêncio, pois, ela acabou despertando em mim a curiosidade e a vontade de contar e inventar histórias, inspirando-me a escrevê-las e vivenciá-las, mesmo sem tê-las vivido.
Inspiração
As lembranças da minha infância em que meu Avô contava histórias dos arredores onde ele morava, normalmente nas férias escolares eu ia prá sua propriedade junto com irmãos e primos e lá ele contava alguns "causos" e histórias para a meninada. Uma delas foi dessa Senhora misteriosa e que todos a chamavam de Bruxa ou Louca.
Sobre a obra
As histórias contadas pelo meu Avô me inspiraram a fazer este Conto, considerando que nas férias escolares eu viajava para sua propriedade e lá ouvia histórias e contos de assombração que encantavam a criançada. Destaquei este Conto inspirado na história da Bruxa do povoado que assustava todos os meninos e meninas naquela época de criança.
Sobre o autor
Gosto de ler, ouvir músicas, gastronomia, literatura e bater papo com amigos, Acredito que o fato de ler bastante, desde muito cedo, tem incentivado o gosto por escrever contos, crônicas e poesias.
Autor(a): REGINALDO XAVIER DA SILVA (PÉGASUS)
APCEF/RN
Essa obra já recebeu votos de 0 pessoas
Essa obra já recebeu 0 votos (com peso)
Vote nesta obra
Entre com sua conta para dar uma nota de 5 a 10.
O voto pelo Facebook será liberado em breve. Você já pode votar com o Login Fenae.