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Título: Eu, a LIA e a Vida no Automático: Crônicas de uma Amizade Artificial.
TALENTOS 2026 CRÔNICA
Autor: Angela Paula de Lima da Costa c138192
Título: Eu, a LIA e a Vida no Automático: Crônicas de uma Amizade Artificial.
É bem verdade que hoje estamos vivendo cada vez mais de forma tecnológica e no
piloto automático da vida automatizada, principalmente no mundo corporativo.
Me rendi, certo dia em uma manhã chuvosa de inverno Amazônico, acordei pensativa e
decidida e disse a partir de hoje irei usar inteligência artificial no meu dia a dia, mas do
jeito certo.
O que é o jeito certo? Não sei. Mas sei que não queria virar aquela pessoa que pede até
bom dia para um algoritmo. Embora confesse já tenha agradecido uma vez quando pedi
um e-mail para cliente e a IA redigiu de forma tão educada que agradeci o e-mail de tão
perfeito. Pensei, vai que um dia ela se lembrará de mim.
Então, montei várias perguntas para começar de forma bem simples o dia.
Primeiramente, batizei a ferramenta IA de LIA para ficarmos bem íntimas, então pedi
para LIA montar minha rotina matinal. Resultado? Um plano digno de atleta olímpico
com alma de monge budista. “Acordar às 5hr, meditar, tomar água morna com limão,
fazer alongamentos, organizar metas do dia...” Parei na água morna e ainda tinha limão.
A LIA claramente não conhece a vida real de quem acorda todos os dias negociando
com o despertador.
Mas onde a coisa ficou boa mesmo foi no lado humorístico da convivência. Descobri
que a LIA tem aquele jeitão de pessoa que leva tudo muito a sério. Um prato cheio para
diversão.
Por exemplo, certo dia, eu pedi a LIA “escreva um aviso educado para o meu esposo
parar de deixar a toalha molhada em cima da cama”, a LIA retornou com um texto tão
polido que parecia um convite para um evento diplomático. “Prezado, Marido
cordialmente solicito que...” ele não obedeceria. Então adaptei: “Marido, não deixe a
toalha na cama, senão...”, muito melhor e verdadeiro.
Outro uso maravilhoso: responder mensagens difíceis. Por exemplo, responder aquela
amiga chata que manda “Oi, sumida” depois de um ano? A LIA resolve “crie uma
resposta simpática, mas que encerre a conversa sem chances de continuação” Ela
entrega a resposta, eu copio, colo e ainda me sinto elegante. Uma Shakespeare da fuga
social.
E tem o ápice: Usar a LIA para justificar atrasos. “Crie uma desculpa convincente para
atrasos sem parecer irresponsável” Ela entregou uma resposta com dois parágrafos e três
conexões causais. Chique! Só um detalhe, fica tão bem escrito que levanta suspeitas.
Ninguém que realmente se atrasou fala daquele jeito. A conclusão? Se atrasar com estilo
também tem limite.
A melhor parte mesmo é quando eu uso a LIA para coisas aleatórias e absolutamente
inúteis. Aí é que mora a alegria da vida moderna.
Já solicitei da minha amiga LIA:
Um horóscopo personalizado para pessoa que esqueceu onde deixou a chave da casa.
Uma receita gourmet de peixe cascudo/bodó com criatividade duvidosa.
Um discurso motivacional para levantar-se da cama numa segunda-feira.
Crie um relatório investigativo sobre o misterioso sumiço dos potes com tampa
compatível.
Um plano estratégico para convencer o gato pagar o aluguel da casa onde mora.
Um ranking dos motivos mais criativos para adiar a academia para próxima semana.
E olha funciona, tem resposta para tudo, não resolve o problema, mas faz rir, é hilário.
Ontem, resolvi perguntar: “LIA, qual a melhor forma de parecer ocupada no trabalho?
A LIA respondeu com éticas de produtividade. Fiquei rindo sozinha. Claramente a LIA
não entende o espírito da pergunta. Tive que refinar a pesquisa “comédia, por favor” A
LIA entregou perolas como: “andar rápido com uma pasta na mão e franzir a testa
ocasionalmente”. Isso sim é tecnologia à serviço da humanidade.
A convivência com a LIA é quase como ter uma amiga: só que é educada demais,
disposta demais e que não entende ainda as piadas internas. Mas, com o tempo, ela
aprenderá ou pelo menos tentará acompanhar.
E no meio disso tudo, a gente descobre um segredo importante que o uso da LIA no dia
a dia não é somente sobre produtividade e assuntos sérios. É também sobre leveza,
alegria e transformação de tarefas chatas em pequenas cenas de humor.
É pedir um e-mail formal e sair com uma pitada de ironia. É ter alguém ou “algo” que
topa qualquer ideia maluca e sem julgamentos.
Claro, que é preciso cuidado. Se começar a pedir conselho sentimental ou emocional
sério para inteligência artificial, talvez seja a hora de falar com uma amiga humana ou
profissional da área da saúde.
A LIA tem me ajudado bastante no meu trabalho e nas minhas consultas diárias, mas
nada substitui uma boa conversa olho no olho com amigos, colegas de trabalho e primos
chatos. Principalmente aquele amigo (super sincero) que diz “larga disso” ou “tá doida”,
sem usar três parágrafos estruturados e cheios de requinte.
No fim das contas, a regra é simples: use inteligência artificial, mas não perca sua
inteligência natural. E, se possível, use também o senso de humor porque convenhamos
se até um robô consegue ser útil nós poderemos, pelo menos, tentar ser divertidos e
levar a vida com mais leveza.
E agora, peço licença, pois irei solicitar à LIA que escreva um plano de vida perfeito.
Afinal, preciso de um motivo para rir de mim mesma.
Inspiração
A inteligência Artificial já faz parte da nossa vida. Eu mesma uso a IA no dia a dia, na Caixa e na vida pessoal. Como é um tema bem atual e faz parte do cotidiano das pessoas, sinto-me motivada a contar minhas experiências com os algoritmos de forma bem leve e humorada.
Sobre a obra
É uma crônica humorística sobre o uso da ferramenta de IA, enfatizando as minhas experiências e percepções pessoais.
A obra em si possui uma linguagem simples, leve e traz uma mensagem de reflexão sobre tecnologia, inteligência e muito senso de humor.
Sobre o autor
A leitura e a escrita fazem parte da minha vida. Sou observadora do cotidiano e tenho o costume de rabiscar, escrever e fazer anotações sobre acontecimentos e eventos diários.
Por isso, vejo a vida como um grande de livro que vamos adicionando parágrafos, criando histórias inéditas dia a dia, que enriquece o passado e enche o futuro de esperança.
Autor(a): ANGELA PAULA DE LIMA DA COSTA (Angela Paula)
APCEF/AM