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Praticar e divulgar ciência é uma corajosa forma de cidadania
Praticar e divulgar ciência é uma corajosa forma de cidadania
Viajar em busca do conhecimento. Recentemente estávamos na Itália e passamos alguns dias em Veneza. O calor de 27 graus nos obrigou interromper a caminhada para descansar nos degraus da Piazza San Marco, molhando levemente os pés nas águas frias do Adriático. Ali perto era possível vislumbrar a Torre Dell’Orologio, onde um relógio astronômico toca a cada hora. Nela existem duas esculturas em bronze: um velho com barba e um jovem imberbe, sendo essa uma alegoria para representar a passagem do tempo. O velho bate o sino um pouco antes da hora, é o passado. O jovem bate o sino um pouco depois, seria o futuro. Este magnífico relógio tem sistemas extremamente precisos para exibir o sol, a lua, os signos do zodíaco, o tempo e os cinco planetas então conhecidos: Saturno, Júpiter, Marte, Vênus e Mercúrio. Admirar a torre e estas duas obras de arte fez-me refletir sobre a passagem do tempo e as mudanças climáticas mundiais acentuadas nos últimos anos. Sabemos que Veneza, a cidade sereníssima, luta diariamente contra a invasão das águas ao longo de seus dezesseis séculos. A elevação do nível do mar fará Veneza desaparecer. Na minha infância, morávamos em Uruguaiana. Ali o povo humilde sofria muito na época das enchentes do Rio Uruguai, que passaram a ser cada vez mais frequentes e com grande intensidade. A vida das pessoas nas cidades está intimamente ligada aos seus cursos de água. Na Argentina e no Uruguai, países vizinhos, a tragédia também se repete. A GRANDE ENCHENTE DE 2024 71 Atualmente, é preciso questionar o negacionismo científico em nosso país. O prefeito Mello e o governador Leite só trabalham buscando vender o patrimônio público abaixo do valor de mercado, beneficiando empresas que visam apenas o lucro. Extinguiram o Departamento de Esgotos Pluviais, e é comum autorizarem a derrubada de arvores sem nenhuma preocupação ambiental. Matérias jornalísticas do jornal Sul 21 mostram como a cidade vem prestigiando construtoras de prédios em detrimento de um planejamento urbano racional. O Prefeito e o Governador são negacionistas, acreditam na terra plana. Na verdade, nossas bacias hidrográficas são objeto de estudo científico intensificado depois de 1941, o ano da grande enchente. Mas esse negacionismo extremado foi levado às universidades, ocasionando obstáculos nas pesquisas hidrológicas. Tudo instrumentalizado pelas fake news, a maior praga gerada nas redes sociais. Um legado terrível de destruição e mortes para o povo gaúcho. É fundamental todo engajamento das entidades da sociedade civil, como faz nossa APCEF/RS, em eventos como o FAMA - Fórum Alternativo Mundial das Águas, o Comitê de Combate à Mega Mineração no RS, a Frente Popular de Enfrentamento à Emergência Climática. A injustiça socioambiental está levando a graves consequências. É incontestável o quadro de agravamento da crise climática mundial, decorrente do aumento dos gases de efeito estufa emitidos pela queima de combustíveis fósseis que não param de crescer. A quantidade de gás carbônico na atmosfera do planeta já chega a um nível sem precedentes. Porto Alegre e nossa sociedade gaúcha não podem continuar sendo excludentes. Defender a democracia e conclamar os cidadãos para decidir efetivamente uma política ambiental inclusiva é o que acreditamos de mais urgente. Venham nos apoiar nesta luta. Praticar e divulgar ciência é uma corajosa forma de cidadania.
RICARDO HUBBA
Guri de Uruguaiana por opção; militante social desde sempre; Confrade fundador e atual coordenador da Confraria Astronômica Caixa de Joias da APCEF RS, idealizada a partir da dúvida de quem somos, para aonde vamos e porquê devemos ir; Auxiliar no Observatório Astronômico Caixa de Joias, localizado em São Francisco de Paula; Membro do Conselho Deliberativo na Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal do Rio Grande do Sul – APCEF / RS;
Associado e atual vice-presidente do Clube de Cinema de Porto Alegre, fundado em 1948 - @ccpa1948; aluno e aprendiz de escritor nas oficinas literárias de Alcy Cheuiche, Jane Tutikian e Leticia Wierzchowski.
Estudante no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, Julinho, Porto Alegre.
Pós-Graduação em Segurança Pública: Violência, Crime, Policia e Cidadania pelo IFCH UFRGS; Pós-Graduação em Informática Empresarial pela PUC RS. Técnico em Segurança do Trabalho pela ETCOM UFRGS; Sócio da Associação Gaúcha dos Economiários Aposentados – AGEA RS - Consultor Regional de Segurança na Caixa Econômica Federal.
ricardohubba@yahoo.com.br
Inspiração
Após a Pandemia, nosso estado do RS sofreu em 2024 a maior de suas tragédias. Uma grande enchente devastou nossas cidades, causando mortes e grandes perdas materiais.
Sobre a obra
Sou Aluno contumaz das oficinas literárias promovidas pela nossa APCEF RS. Em 2011 lançamos nosso livro na Aliança Francesa em Paris. Quase trinta alunos escritores com Alcy Cheuiche, nosso mestre orientador.
Sobre o autor
HUBBA
Guri de Uruguaiana por opção; militante social desde sempre; Confrade fundador e atual coordenador da Confraria Astronômica Caixa de Joias da APCEF RS, idealizada a partir da dúvida de quem somos, para aonde vamos e porquê devemos ir; Auxiliar no Observatório Astronômico Caixa de Joias, localizado em São Francisco de Paula RS. VP @CCPA1948
Autor(a): RICARDO ADOLFO HOFFMANN HUBBA (HUBBA)
APCEF/RS