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CHIVA NUNCA MAIS!
Sempre tive o sonho de conhecer a Colômbia. Quando assistia a copa do mundo, percebia o quanto os colombianos eram animados e coloridos. Cantarolavam o tempo inteiro com uma energia imensurável.
Pesquisei no Google tudo sobre as melhores cidades para conhecer e, a cada informação que lia, ficava cada vez mais encantada. Principalmente com as sete cores do mar de San Andrés.
Pensava cá comigo: “Um dia vou ter o prazer de me banhar nesse caribe sul-americano.”
E assim, passo a passo, fui tornando meu sonho em realidade. Fiz muitas economias, juntando todos os trocados que me sobravam, até completar o valor necessário para a viagem, hospedagem e passeios.
Quando enfim consegui, a emoção tomou conta. Coração estava a mil. Arrumei as malas quase duas semanas antes, para não correr o risco de esquecer algo. Não via a hora de fazer o city tour nas chivas em San Andres, apreciando aquele belo mar.
#PartiuSanAndres
Ao chegar, o aeroporto estava um forno. Totalmente sem ar condicionado. Quase derreti de tanto calor. E mais incomodada eu fiquei, ao saber que estava assim há muitos meses, por desleixo dos responsáveis. Mas tudo bem, era só um detalhe. Imaginei que ao sair do aeroporto, o vento litoral ia abrandar meu suor.
Negativo! O calor da rua era insuportável. Olhei no celular e confirmei que a sensação térmica local era de 40 graus, agravada ainda mais pela ausência de vento. Por incrível que pereça, a temperatura do aeroporto estava até melhor. Quem diria...
Mesmo assim, encarei a jornada até o hotel com uma toalhinha em punho para enxugar o suor derramando pelo corpo todo.
Ao chegar, tratei de agendar meu tão sonhado city tour na chiva rumbera, que é um tradicional ônibus colombiano de madeira, com laterais abertas e bancos compridos. Sua origem surgiu no início do século XX para servir como transporte rural nas montanhas e ligar vilarejos isolados às cidades. Atualmente é usado nas cidades do interior da Colômbia para transporte de passageiros e mercadorias. Mas nas cidades turísticas, é usado como ônibus festivo com luzes e música alta para passeios de turistas.
No dia marcado, tratei de me arrumar toda linda com minha bela saída de praia nova de griffe famosa pois, imaginava que o ônibus estaria cheio de turistas chiques de vários países e eu não queria estar em desacordo.
Entretanto, ao chegar no local de partida, havia uma fila imensa de moradores locais, fazendo um barulho imenso com suas caixas de som poderosas, além de seus filhos correndo pelas calçadas do local, gritando com toda potência que lhes era possível.
Ao subir no ônibus, fui imprensada nos desconfortáveis assentos de madeira, nos quais cabiam apenas quatro passageiros, mas o guia sugeriu que todos apertassem um pouco mais para caber cinco em cada banco. Fiquei igual uma sardinha enlatada entre dois colombianos acima do peso.
Foram duas horas de aperto ouvindo cumbias e salsas, com o som no mais alto volume. E com direito de ouvir os nativos cantando todas as canções com suas vozes semitonadas.
Por incrível que pareça, minha maior alegria era quando a chiva parava para conhecer algum local histórico abandonado e sem manutenção; mas que, naquele momento, tornava-se um alívio, um verdadeiro paraíso...
Eu já estava contando os minutos para finalizar a minha saga, porém, o “melhor” ainda estava por vir. Na última parada turística, próximo das duas da tarde, com uma fome gritando dentro de mim, eis que um casal de nativos resolveu ir nadar em uma das praias e esqueceram de voltar ao ônibus. O motorista buzinava longamente, mas nada dos dois voltarem. Quarenta minutos depois, quando resolveram retornar, vinham dando gargalhadas do que ocorreu.
Depois de tudo isso, só digo uma coisa: PASSEIO DE CHIVA ESTÁ TOTALMENTE RISCADO DO MEUS PLANOS TURÍSTICOS!!
Inspiração
Momento real e cômico vivido nas minhas férias.
Sobre a obra
Trata-se de um conto narrativo e realista por retratar uma história verídica ocorrida recentemente.
Sobre o autor
Adoro ler e me arrisco a escrever de vez em quando. E quando chega o Talentos Fenae, busco nova inspiração para satisfazer meu prazer em escrever contos.
Autor(a): MARIA DA CONCEICAO FREITAS GUIMARAES (Concy)
APCEF/PA
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