Talentos Fenae/Apcef

O CAMINHO DO AXÉ

O CAMINHO DO AXÉ

Embaixo do seu alá misericordioso,
Aprendo com Oxalá que para sair de uma batalha vitorioso,
A sabedoria e a paz interior
São mais poderosas que qualquer arma ou atirador.
A ele peço por proteção
E que escute a minha oração.
Epa Babá, Oxalá!

Compreendo com Nanã Buruquê
Que todo fim tem um porquê.
No abraço de uma avó querida,
Aceito que é preciso respeitar os ciclos da vida.
Ela nos mostra que como seus pântanos de água parada,
Quando o mundo exige pressa, nossa mente deve ser serenada.
Salubá, Nanã!

Obaluaê, oculto em suas vestimentas de palha,
Ensina que julgar pelas aparências é uma grande falha.
Compartilha sobre a transmutação da dor em cura,
E que na impermanência da vida nada perdura.
Tudo tem um tempo certo para maturar e se transformar,
E que devemos os aprendizados vindos de nossas cicatrizes, celebrar.
Atotô, Obaluaê!

Caminhando ao lado de Ogum, com coragem e proteção,
Sigo em frente com a força da justiça e da determinação.
Entendo que é possível transpor qualquer estrada,
Pois a verdadeira força não está na espada.
O senhor do ferro e das ferramentas me lembra que é preciso prosperar,
E que dividir o conhecimento é uma forma de abençoar.
Ogunhê Pàtàkori, Ogum!

Nas matas de Oxóssi eu escuto seu ensinamento:
“A flecha que encontra o alvo nasce primeiro no pensamento”
Para atingir os objetivos é preciso foco e estratégia.
Guerreiro de uma flecha só, sabe mirar e ter disciplina régia.
Na mata, aprende quem observa,
E assim a sabedoria conserva.
Okê Arô, Oxóssi!

Sob a justiça de Xangô e as duas lâminas de seu machado,
Aprendo que devemos sempre ponderar os dois lados.
Antes de fazer qualquer julgamento
É preciso analisar com muito discernimento.
Aprendo a viver com mais consciência e responsabilidade,
E a defender sempre a verdade.
Kaô Kabecilê, Xangô!
Nos ventos de Iansã, vejo a transformação.
E resistir à ela é resistir à própria evolução.
A impermanência faz parte da vida,
E dela saio muito mais fortalecida.
Há que se ter coragem
E o direito de viver com a sua verdade.
Eparrei, Oyá!

Nas águas doces de Oxum, observo que a doçura e a delicadeza
Sãos expressões de uma força profunda e não de fraqueza.
Como um rio que contorna os obstáculos e a adversidade,
Devemos nos mover com resiliência e suavidade.
O meu reflexo em seu abebê me lembra de olhar para mim mesma,
E não esquecer o meu valor, não importa o que aconteça.
Ora iê iê ô, Oxum!

Ao desaguar nas águas salgadas de mamãe Iemanjá,
Seu colo é refúgio que sempre me protegerá.
Vejo que a vida é feita de ciclos, como suas ondas que vão e vêm.
E que precisamos aprender a deixar ir o que já não nos convém.
E assim como na vastidão do mar,
Precisamos aprender a confiar e navegar.
Odoyá, Iemanjá!

Nas encruzilhadas da vida tudo se transforma e evolui com o tempo,
E conhecer os caminhos errados também traz conhecimento.
Descubro com Exu oportunidades de evolução.
Com ele aprendo a importância da comunicação.
É preciso escutar sem julgamento,
E orientar sem influenciar o pensamento.
Laroyê Exú, Exú é Mojubá

Nesse solo sagrado,
No caminho que me foi consagrado.
Tenho oportunidade de errar e aprender,
De servir, evoluir e renascer.
Tenho junto a mim protetores, conselheiros e curadores,
E seu saber ancestral me ajuda a enfrentar as minhas dores.

De guia no pescoço e axé no coração,
Saúdo a todos os guias e peço proteção
Para enfrentar qualquer demanda:
Saravá à Umbanda!

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Inspiração

Em tempos de intolerância religiosa, falar sobre os ensinamentos que recebemos é mostrar que toda religião nos ensina e ajuda a sobreviver nesse mundo caótico. A Umbanda é uma religião brasileira que traz elementos de religiões de matriz africana, catolicismo popular e tradição indígena, honrando assim a nossa ancestralidade. Axé!

Sobre a obra

Usei praticamente a mesma estrutura de versos replicada no texto, para tornar a leitura mais fluída. As rimas criam um padrão sonoro agradável aos ouvidos, fazendo o poema soar como uma melodia, além de diferenciar a linguagem poética da prosa comum, dando beleza e identidade artística à composição. Falar da religião em forma de poesia é puro axé!

Sobre o autor

Tenho 43 anos, sendo 23 deles trabalhando na CAIXA e tenho dois filhos. Costumo dizer que sou uma bancária com alma de artista! A arte me completa, seja na escrita, na música, nas manualidades ou na dança, e a Umbanda me sustenta e enche meu coração de alegria!

Autor(a): AMANDA CEGLIO BENEDETTI (Amanda Benedetti)

APCEF/SP


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