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Quando deixamos de acreditar
Quando deixamos de acreditar
Cheguei em casa, e lá estava Pedro, com aqueles olhos brilhando e a determinação de quem sabe exatamente o que quer. Ele queria uma varinha mágica para encolher. Não sei de onde veio essa ideia, mas talvez algum vídeo no YouTube tenha plantado a sementinha desse desejo em sua mente. E Pedro não desistia. Falava da varinha mágica com tanta convicção que, para ele, era quase certo que eu traria uma da próxima vez que saísse. Com um sorriso, prometi a mágica.
No dia seguinte, entrei pela porta com a tal varinha. Para os olhos dele, aquele simples objeto já pulsava com possibilidades fantásticas. Pedro segurou a varinha com reverência, a felicidade explodindo em um sorriso cheio de dentes. Mas, em segundos, o encanto deu lugar a uma expressão de pura frustração. "Papai, eu não estou encolhendo! Por que não funciona?" Insistiu que eu ensinasse como se encolhia. E lá fui eu, navegando pelo universo da lógica infantil, tentando explicar que a varinha só fazia efeito na imaginação. Foi uma conversa longa, pontuada de porquês e pequenas pausas, até que, finalmente, ele aceitou que aquela varinha talvez tivesse outro tipo de magia.
Fiquei ali, observando-o, enquanto ele ainda brincava com a varinha, tentando recordar o instante exato em que deixei de acreditar em coisas impossíveis. Quando foi que perdi essa capacidade que as crianças têm de abraçar a imaginação, de ver o mundo sem o peso das limitações? Naquele momento, senti uma saudade quase palpável daquele tempo em que tudo era possível, em que um lápis podia ser uma espada, uma capa me tornava invisível, e o mundo ainda era cheio de mistérios a serem descobertos.
Lembrei de um velho desenho da minha infância, "O Fantástico Mundo de Bob". Ah, como eu amava aquele desenho! Nele, o mundo era um lugar fantástico, os sonhos se desenrolavam em cenários absurdos e aventuras mirabolantes. Mas, crescendo, vamos deixando esse universo colorido para trás. A vida, com suas contas e compromissos, acaba nos afastando do sonho, da possibilidade, do "e se".
Claro, não podemos viver eternamente no mundo de faz de conta, mas há algo na simplicidade da imaginação infantil que parece nos fazer falta. As crianças não "fazem de conta" como nós, adultos; elas vivem o que imaginam. E talvez o segredo esteja aí, na verdade que elas imprimem em tudo o que acreditam. Porque, quem sabe, de vez em quando, ainda podemos ser um pouco como elas.
Inspiração
Esta crônica nasceu de um momento em casa com meu filho Pedro que queria uma varinha mágica para encolher. Ao ver sua fé e sua frustração, lembrei de quando eu também acreditava no impossível. Quis registrar essa saudade e a ideia de que, de vez em quando, ainda podemos ser um pouco como as crianças.
Sobre a obra
Crônica em primeira pessoa e tom leve e reflexivo. Parti de uma cena simples do cotidiano, a varinha mágica de Pedro, para falar da imaginação que perdemos ao crescer. Usei diálogo e lembranças da infância.
Sobre o autor
Sou Thiago, empregado da Caixa. Gosto de escrever, transformando o que vejo e vivo em textos simples e sensíveis, porque acredito que comunicar bem aproxima as pessoas.
Autor(a): THIAGO PAULINO DO NASCIMENTO (Thiago Paulino)
APCEF/CE
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