Talentos

UMA MÚSICA, UMA DEDICATÓRIA, NEM SEMPRE DÁ CERTO

UMA MUSICA, UMA DEDICATÓRIA, NEM SEMPRE DÁ CERTO!
Cantar e tocar sempre foram as minhas paixões. Desde pequeno, na minha linda cidade de Viçosa, aprendi a cantar e a tocar. E foi assim sempre em paralelo com meus estudos e dedicação à família que cresci na música e no canto.
Participei da formação de bandas em Viçosa e depois fui pra Maceió, mas, continuei na mesma pegada: estudos, família e música. Em Maceió somei aos meus irmãos e quase todos os dias ensaiávamos na casa da minha amada mãe, na rua Santa Isabel na Pajuçara.
O repertório evoluía naturalmente por conta do nosso bom gosto musical: Djavan, Fabio Jr, Roberto Carlos. Também fazíamos alguns boleros e pagodes cantados pelo Brasil a fora!
E sabe o que era bom? O show! Isso mesmo, o show e era assim mesmo que chamávamos. O show se realizava em cada barzinho que íamos tocar e era algo extraordinário para nós que fazíamos a banda, ou seja, eu e meus dois irmãos. Levávamos o som no carro, montávamos o som no barzinho, tomávamos umas geladas, testávamos o som e fazíamos a famosa passagem de som. Espetacular!
Mas nem tudo eram flores, claro. A desmontagem de tudo e o encaixotamento das coisas no famoso baú, as quatro da manhã, não era pra qualquer um, justamente após um show longo e bem tocado, digamos assim, mas seguíamos felizes principalmente na arrecadação dos valores cobrados por cada mesa ali presente naquele show.
E nós seguíamos fortes nas famosas tocadas das noites em Maceió até que um dia fomos tocar no excelente bar do Pelado da Barra Nova. Todo bem planejado, todas as mesas vendidas, ou seja, sucesso total.
Mas uma música, uma dedicatória, nem sempre dá certo!
Neste dia tive uma ligeira discussão em casa e não me entendi bem com minha querida e amada esposa. E saí para o show triste e ela ficou em casa pela primeira vez já que sempre me acompanhou. Uma pena!
Mas fomos em frente e tudo funcionou bem. Som bem instalado, mesas lotadas e repertório bem executado. Muita música boa, passeando por Roberto e Fábio Jr, passando por Alceu Valença, Paulo Ricardo e até Legião Urbana e seguíamos nos apresentando. Depois entramos no pagode passando pela música ESSA TAL LIBERDADE da banda SPC.
Neste momento eis que aparece com sua beleza natural, a minha esposa querida. E já vai sentando na mesa dos artistas e eu já encerrando a música ESSA TAL LIBERDADE, lendo a canção através da minha pasta de apoio (só sei cantar lendo) pois não decoro a letra.
A banda, composta por meus irmãos extremamente ensaiados, já iniciando a próxima música e eu, sem ter virado a página para pelo menos saber qual era a próxima canção, falo ao microfone com explosão de emoção por ver minha linda esposa naquela festa em sinal do perdão e da paz em casa: “dedico esta próxima canção a minha esposa que acaba de chegar.” E quando viro a página, já inicio cantando: TÔ FAZENDO AMOR COM OUTRA PESSOA... (música DEPOIS DO PRAZER, do SPC).
Ela então pegou a bolsa e foi embora de imediato! E eu, ao terminar a canção ainda tive a cara de pau de perguntar a meu irmão: “Cadê minha esposa?” E ele na sinceridade respondeu: “Você queria que ela ficasse com uma dedicação dessa?”
Nem preciso contar o que aconteceu depois...

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Inspiração

Escrever faz parte da minha vida. Componho e guardo fatos e anotações. Este conto traz um fato real acontecido comigo em minhas andanças musicais

Sobre a obra

Procurei escrever os fatos como eles realmente aconteceram. para o conto, estabeleci diálogos que levasse o leitor à ir até o final sem saber este final.

Sobre o autor

Aposentado da Caixa, cantor e compositor. Participante dos eventos culturais promovidos pela FENAE e APCEF

Autor(a): JOSE MILTON SILVA PEIXOTO (MILTON PEIXOTO)

APCEF/AL