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VELHICE (um descarte)
VELHICE (um descarte)
Havia tanta vida esculpida
naquele rosto, agora cansado,
para contemplar...
Havia tanto, tanto
naquele sorriso, agora triste,
para desbravar...
Havia tanto testemunho
naquele olhar, agora longínquo,
para perpetuar...
Mas a pressa daquela gente
de ouvidos prontos
para não ouvir,
e de olhares torpes,
adestrados para não ver,
não permitiram perceber
que para além daquelas rugas,
havia um infinito
de desperdiçadas histórias,
naquele ser, agora invisível,
carregando em seu olhar
um derradeiro desejo,
num semblante lânguido
e repleto de súplica: Olhem-me!
Ainda estou aqui...
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Inspiração
No Brasil, o envelhecimento ainda é tratado com preconceito e esteriótipos. A inspiração surgiu justamente quando participei, em parceria com uma fotógrafa, da realização de um ensaio fotográfico de internos de um asilo, visando valorizá-los. Lá pude constatar tristes realidades de pessoas desiludidas, descartadas pela sociedade.
Sobre a obra
A obra inspirada e construída a partir de experiência vivida com idosos internos de um asilo.Conversando e registrando suas desesperanças, foi através de uma das fotos tiradas:Rosto de uma senhora marcada pelo tempo, semblante e depoimento tristes.A poesia descreve esse momento, com versos livres, heterométricos e com toda a emoção envolvida.
Sobre o autor
Sou aposentado, (37 anos de Caixa) apaixonado por literatura, escrevo por hobby, prazer, sem preocupação com métrica e por puro entretenimento. Já participei algumas vezes do Talentos FENAE / APCEF, sendo premiado por três vezes. Uma delas em primeiro lugar, fase Estadual.
Autor(a): RAIMUNDO GARRIDO ARRABAL (Raimundo G. Arrabal)
APCEF/PR
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