A Estação que Não Voltou

A Estação que Não Voltou

Quando o verão perdeu minha estação,
guardei teu nome em pétala de dor;
e a casa inteira respirou sem cor,
como um jardim fechado à multidão.

Teu riso foi dezembro no portão,
e todo adeus virou cinza na flor;
os relógios guardam teu velho amor
no fruto escuro da recordação.

Se a primavera volta em pensamento,
eu não renasço: aprendo a naufragar,
pois toda flor conhece seu tormento.

Há folhas que regressam pelo mar,
trazendo em seus nervos meu lamento,
mas nunca o mesmo corpo para amar.

II.
A Casa Depois de Nós
Rafael Mininel
A casa ainda acende a velha tarde,
e bebe a sombra inteira no vazio;
no corredor, teu passo fez vazio,
e o lume abriu feridas pela tarde.

Nenhuma voz retorna quando é tarde,
ao quarto onde ficou meu corpo frio;
a mesa sabe o peso do vazio,
e toda flor demora até ser tarde.

O tempo não se curva à nossa porta,
apenas troca os nomes de morrer,
e deixa a mão antiga quase morta.

Sou eu quem fica, inútil, sem saber,
que toda despedida agora importa,
quando ninguém aprende a esquecer

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Inspiração

Poesias são pra ser sentidas, não entendidas. A inspiração foi algo preso dentro de mim, que quis passar para o papel.

Sobre a obra

Fala da dor de quem ficou. A dor de ter um ente querido, um ser amado(a) que partiu e a dor que ainda corrói.

Sobre o autor

Estou na CAIXA há 21 anos.
Sempre escrevi, desde criança. Depois de um longo período sem escrever devido a um transtorno de ansiedade, devido a insistência da minha psicóloga, desde setembro de 2025 voltei a escrever. Desde lá, já publiquei 7 livros e participei de mais de 40 antologias, com poesias e contos, por diferentes editoras.

Autor(a): RAFAEL MARQUES MININEL (Rafael Mininel)

APCEF/SP