A dança cotidiana

A dança cotidiana
Da minha varanda eu observava cotidianamente os passos sincronizados que pelas silhuetas deduzia-se serem dois corpos, um feminino bem definido com contornos rechonchudos e outro era bem mais tímido em termos de composição física, magro quase que esquelético, que se entranhavam em uma valsa longa e que esteticamente conduziam-se um ao outro.
Esse balé durava horas e se repetiam todos os dias e em horários coincidentes, pela manhã ou ao final da tarde, com a distância não se ouvia com nitidez a música que acompanhava o desenvolvimento coreográfico dos corpos, mas imaginava de longe que era um casal bem harmonizado em perfeita sincronia, valsavam pelos quatro cantos do recinto, solitário que se completava naqueles movimentos.
Esforçava-me para ver as faces dos dois, porém a vista turva, a distância e própria luminosidade um pouco deficiente não favorecia para que eu pudesse ver quem eram aqueles que compunham o frenético casal.
Estava convicto que eram perfeitos em tudo, nos seus movimentos, na coreografia e na cumplicidade, torcia para poder identificar de fato quem eram os dois que formavam aquele par perfeito, mas ainda não conseguia ver com nitidez, e essas danças já duravam semanas, sem que eu soubesse quem eram.
A agonia e a ansiedade chegam ao fim no dia que toca o interfone e a voz do porteiro me informa que meus novos óculos acabaram de chegar, ao recebe-los eu pu-los e aguardei ansiosamente o casal iniciar sua dança e naquele dia viria quem eram aqueles que por semanas pude observa-los sem saber quem eram, chegada a hora e eis que entra na sala a faxineira do apartamento vizinho e começa varrer a sala com sua enorme vassoura e vejo que o casal que em minha imaginação era o par de dançarinos, trava-se apenas da faxineira e sua enorme vassoura e seus movimentos repetitivos imitavam uma dança que por profunda curiosidade minha me induziu a imaginar ser um casal de dançarinos.

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Inspiração

Observando uma faxineira na varanda de outro prédio e vendo os seus movimentos coordenados surgiu a ideia de uma dança.

Sobre a obra

Simplesmente escrever, é dar fluidez às ideias!

Sobre o autor

Amo fazer arte, e é estar em movimento

Autor(a): JOSE DE ARIMATEA LAFAYETTE SOUZA (Arimatea Lafayette)

APCEF/AL


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