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Viagem sem fim
Viagem sem fim
Chove lá fora e as árvores agradecem fazendo sombras nos jazigos frios e macabramente desarrumados, pinturas desbotadas, paredes descascadas, com algumas lápides quebradas, cruzes caídas e muito mato ao seu redor, poças d´águas se acumulam pelos passeios apertados onde o silêncio ensurdecedor dos inquilinos do condomínio repousam eternamente sem atormentar outros condôminos.
Albertina, moradora da quadra D lote 134, divide seu pequeno apartamento com outros familiares que tiveram pressa de virem morar no local primeiro. Ela não reclama, ouve pacientemente os cantos dos pássaros e pingos frios da chuva em sua lápide não parecem incomodar. A mesma já mora por mais de 20 anos e não reclama com nada e nem contra nada, apenas fica incomodada com constantes mudanças, pois o condomínio receber quase que diariamente novos moradores, que suas eternas bondades e conformação, fazem morada e companhia para a Albertina.
Mas, ela, a Albertina está visivelmente incomodada com a presença do seu ex-marido, o português Joaquim, que mora a duas quadras dela, faz queixas a Luméria, sua filha única que tivera com Joaquim quando a mesma vem visitar os dois, Albertina já confessou para os espíritos superiores que gostaria que a filha fosse visitar apenas a sua cova, mas nunca fora atendida em seus pedidos.
O condomínio da cidade do pé junto, é bem democrático, não tem portaria, apenas um muro que muitas vezes é invadido por intrusos que resolvem de alguma forma se esconder por lá ou mesmo arruaceiros que gostam de pitar a erva, exalando o cheiro da canabis, que entorpece todos no profundo sono eterno.
O sono reinante no condomínio da morada eterna, não incomoda a ninguém, apenas aos seus condôminos que desfrutam do mesmo, sem reclamar, sublimes são seus moradores pacientes com suas almas vagantes e corpos deitados em supremo descanso, e a letargia dos sons dos ventos em suas árvores que embalam a paz e o sossego eterno.
A viagem não tem fim, não tem caminhos, nem poeira, tem apenas a companhia do profundo silêncio eterno, nesta viagem, que é mesmo sem fim.
Inspiração
Do imaginário da dor dos outros e da solidão dos corpos
Sobre a obra
Coordenando as ideias em busca de uma história com ou sem sentido, isso é fazer literatura
Sobre o autor
Amo arte, gosto de fazer arte e estar em movimento
Autor(a): JOSE DE ARIMATEA LAFAYETTE SOUZA (Arimatea Lafayette)
APCEF/AL
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