- Página inicial
- Detalhe obra
Um sinal no Planalto Central
Um sinal no Planalto Central
É noite no Planalto Central. Clara ajusta a antena de velho rádio amador que herdou do avô. O aparelho, como sempre, chia mais do que fala. Mesmo assim, ela insiste. Uma rotina diária, desde que o avô desaparecera, 10 anos atrás. Conforme ele costumava falar, desde que ela era criança: “certas mensagens só chegam para quem realmente escuta”.
23h47. Ela já está quase a desistir, quando o padrão do chiado muda. Um pulso ritmado, quase um sussurro metálico, atravessa o ar. O padrão se repete três vezes e, depois, uma voz fraca, distante, com muito ruído, mas ele consegue entender e fica paralisada.
“Se alguém puder nos ouvir… não estamos sozinhos.”
Seu coração dispara. Há alguém do outro lado.
No rádio, a voz continua, como se viesse de muito longe.
Ela fala de uma expedição perdida, luzes no céu, um retorno improvável.
Clara tenta responder, mas não há retorno.
Determinada, ela passa a madrugada tentando decifrar a localização do sinal. Finalmente ela descobre as coordenadas. Ela fica surpresa quando vê, no mapa, o local aproximado da transmissão. Não era um lugar distante, pelo contrário, era bem próximo dali e um lugar conhecido dela. Cada detalhe apontava para um lugar específico: um campo abandonado nos arredores de Brasília, onde seu avô costumava levá-la para observar as estrelas.
O Sol já começava a despontar no horizonte quando Clara terminou. Ela veste um agasalho e sai em busca de respostas.
O vento soprava de leve, carregando o cheiro de terra molhada das primeiras chuvas depois do tempo de estiagem. Não foi difícil achar o campo, ela fora até ali muitas vezes com seu avô.
Ela estava caminhando, quando vê algo brilhando no centro do campo. Ela caminha até lá e descobre algo inusitado: a antena do receptor portátil do avô, intacta, como nova, brilhando sob o sol. E, ao lado dela, o rádio dele... ligado.
Com as mãos tremendo, Clara fixa a antena no receptor e ajusta a sintonia. Então, aquela mesma voz que ela ouvira de madrugada, ecoa pelo espaço aberto, só que, agora, de forma cristalina:
“Clara… você finalmente chegou.”
As pernas bambeiam e Clara se deixa cair de joelhos no chão. Ela não consegue conter a emoção e sente as lágrimas escorrerem pelo seu rosto.
Era a voz do seu avô.
Inspiração
O Planalto Central é conhecido por sua aura mística, esotérica, que intriga e desperta a curiosidade das pessoas. Uma fonte inesgotável de inspiração para criação de histórias.
Sobre a obra
O conto traz apenas um gostinho da história de Clara, neta de um estudioso dos astros, que desapareceu misteriosamente há tempos.
Sobre o autor
Trabalho na CAIXA há 37 anos e tenho 5 filhos.
Sempre gostei de escrever, mas só recentemente (2025) publiquei meu primeiro livro, A Esfera Negra, pela Editora Cartola (disponível na Amazon). Desde então, participei de diversos concursos, tendo vários contos publicados em Antologias de temas variados.
Autor(a): HERCULANO PEREIRA BASTOS (Herculano Bastos)
APCEF/DF
Essa obra já recebeu votos de 0 pessoas
Essa obra já recebeu 0 votos (com peso)
Vote nesta obra
Entre com sua conta para dar uma nota de 5 a 10.
O voto pelo Facebook será liberado em breve. Você já pode votar com o Login Fenae.