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QUEM TU ÉS?
QUEM TU ÉS?
Um sopro,
Uma brisa no rosto
Uma luz...
O sorriso de uma criança
A luta pela vida
As marcas da desigualdade.
Na noite fria
No início e final do dia
Se busca um lugar para pousar a cabeça
A luta diária por um pedaço de pão
Olhares invisíveis inclinam todo o conjunto
Os passos seguem o lado oposto
Daquele sujeito que transforma a rua seu meio de vida.
Dos lugares que caminhei
Do sol que vi nascer
O sofrimento de muitos
Morrendo!
Morrendo!
Na fila de um hospital
Por falta de atendimento.
Vidas,
Quantas vidas serão negadas?
Quantos sonhos serão apagados?
O lucro que mata gente,
Mata a mata,
Mata rios,
Mata
Mata.
Quem tu és menina?
Digo com o pé no chão
Sou mulher cabana,
Que caminha passos firmes
Pela libertação das marcas da colonização.
Sou a geração
Sou o arco
Sou a semente de um novo amanhecer.
Sou filha da mãe terra
Sou o sopro da mata
Sou a veia que corre as águas dos rios.
Sou flor que nasce das lutas
Sou o ponto de partida
Sou o pássaro que voa sem cansar
Que joga sua semente
Que se alimenta da força de seus pares
Sou tudo,
Tudo? Só quero VIVER.
Quero a tranquilidade do Bem Viver
A alegria do bem-te-vi
Não quero o veneno na mesa
Do agrotóxico
Do Agro
Da mineração
Que matam os rios...
Se matar o rio,
Se matam os homens e mulheres
Se mata a vida na sua imensidão.
Viver é um ato de resistência diária
É rebeldia
É defesa:
Da Memória,
Da Língua,
Da Cultura,
Dos Rios,
Da Floresta,
Da terra,
Do Ar,
Do TERRITÓRIO
Bens inegociáveis.
A vida é a riqueza
Inseparável da natureza.
Inspiração
"Quem Tu és ?" O que sou? O que somos ? Essa poesia traz nos seus versos alguns questionamentos e afirmação da relação intrínseca entre o ser (nós) com a natureza. Ela surgiu como uma poesia de resistência, sócio-histórica e política.
Sobre a obra
A poesia "Quem tu és" foi construída através de perguntas que proporcionam ao leitor reflexões. Parte do Eu, para o Nós e a relação indissociável com a natureza.
Sobre o autor
Sou filha da mãe terra, nascida nas águas de Curuperé Miri, Abaetetuba/PA, que na linguagem dos antigos significa um "igarapé pequeno". Sou mulher amazônida que encontrou nos versos uma forma de expressar suas emoções.
Autor(a): THAIS SOUSA SILVA (Thais Sousa Silva )
APCEF/PA
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