Proibido

PROIBIDO

Proibido,
Calar o canto dos pássaros,
De aceitar um padrão de sociedade
Que não representa a diversidade.

Proibido,
Neutralizar a força do povo
Que vem com sua garra
Das ruas,
Das águas,
Do campo,
Da floresta.
Que luta por sua sobrevivência
Ameaçada todos os dias.

Proibido,
Não ser o que você é,
De receber tudo pela metade
Daquilo que não corresponde à realidade.

Proibido,
Não expressar suas opiniões,
De abaixar a cabeça perante falas e atitudes
Que não tem como expoente a liberdade.

Proibido,
Se calar diante das injustiças
De deixar que as outras pessoas digam,
O que se quer de verdade.

Proibido,
Fazer de conta
De negar a responsabilidade
Pensando que há neutralidade.

Proibido,
Naturalizar o racismo
Desse país marcado pela escravidão.
Levantado com sangue de povos,
Derramados no solo dessa pátria
E ainda continuam a derramar.

Proibido,
Deixar passar despercebido
Os crimes que são cometidos.
O tiro é direcionado
Até oitenta são disparados.

Proibido,
Aceitar o retrocesso,
De negar a história.
Silenciar as vozes,
Dos lugares esquecidos.
A luta deve ser diária,
E projetos a defender.
Se luta pelo direito a vida
Não a sentença de morrer.

Proibido,
Sentar no final da fila
Numa cadeira a parte
Onde não é visível o olhar da maioria,
Que não é minoria.
Então ouçam...
A voz de quem,
Não se deixará proibir!
Que tece a cada dia
Um novo amanhecer.

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Inspiração

Inverter o proibido. A poesia traz acontecimento histórico, político, cultural que marca a construção da sociedade brasileira.

Sobre a obra

Uma narrativa, construtiva e reflexiva.

Sobre o autor

Sou Thais Sousa Silva, mulher amazônida, que tece versos.

Autor(a): THAIS SOUSA SILVA (Thais Sousa Silva)

APCEF/PA


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