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Zumbis Digitais
Luzes frias queimam minhas retinas
Silêncio alto dentro da multidão
Mil vozes presas em caixas de vidro
E ninguém escapa da própria prisão.
Dedos rápidos, mentes lentas
Rolando o nada sem perceber
Vendendo a alma por dopamina
Programados para obedecer.
Somos zumbis digitais
Olhos abertos, mas sem enxergar
Figurantes da própria vida
Com cérebros plugados em sinais.
Somos zumbis digitais
Programados para consumir
Ideias mastigadas demais
Para não precisar refletir.
Opiniões pré-fabricadas
Pensamentos em repetição
Ecoando em câmaras fechadas
Chamam isso de evolução.
Sabedoria virou ruído
Ignorância viralizou
Quem pensa é lento, descartável
Quem grita mais, dominou.
Desaprendemos o desconforto
Anestesiados por distração
Se a verdade dói, a gente apaga
E edita uma nova versão.
Carne e osso em decomposição
Mas o perfil está perfeito ali
Sorrisos filtrados escondendo
O vazio que ninguém quer ver.
Quem você é sem o seu reflexo na tela?
Quem te escuta quando cai o wi-fi ?
Inspiração
A inspiração veio da observação crítica do cotidiano moderno, especialmente no que tange impacto das tecnologias digitais e das redes sociais na vida das pessoas.
Sobre a obra
O poema traz uma crítica à alienação digital e superficialidade das redes sociais, uma reflexão sobre perda de autonomia, pensamento crítico e autenticidade, bem como um questionamento sobre identidade e relações humanas no mundo virtual.
Sobre o autor
Sempre gostei de escrever e considero a escrita uma verdadeira extensão de mim, sendo um
poderoso instrumento de reflexão, capaz de promover conscientização e transformação. Sou autora do livro "Nas Entranhas do Mundo", lançado em 2017, e participo do Talentos Fenae desde 2016.
Autor(a): ANDRESSA PACHECO BULHOES (Andressa Pacheco Bulhões)
APCEF/RJ