Quando caírem as máscaras

Quando caírem as máscaras

Quando caírem as máscaras
será que haverá sorrisos
pelos semblantes ocultos
desse meu povo sofrido?
E será que o sol na cara
vai restaurar a essência
em tantos entardeceres
desse outono sem final?

Será que os olhos cansados
dessa gente malacara
vão refletir esperança
sem aceitar os antolhos?
Será que a voz das pessoas,
sem bocal, vai ressurgir,
clamando dignidade,
quando caírem as máscaras?

Há máscaras que caíram...
E revelaram contornos
de geada, de tormenta!
O olhar já denunciava
o ódio e a intolerância,
mas a chama da verdade
clareou a face obscura
da ausência de humanidade.

Quando caírem as máscaras
surgirão novos caminhos
pra resgatar a alegria
das manhãs de primavera?
Teremos algum alento,
tal qual a água de poço
que vem pra matar a sede
do andejo teatino?

Quando caírem as máscaras
perceberei de vereda
que o frio das celas urbanas
com taipas de solidão
do tal exílio povoeiro
abriu frinchas no meu peito
e iluminou as taperas
do meu sentir mais profundo.

Quando caírem as máscaras
não vou pesar nos acordes,
vou me esquecer das bordonas
de tristeza, de saudade,
buscarei só melodias
pra embalar os sarandeios
e preparar minha alma
para o calor de um abraço!

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Inspiração

A inspiração veio num dos momentos mais difíceis do nosso tempo - a pandemia. O distanciamento, as dificuldades e as decepções com as posturas de tantas pessoas me trouxeram uma reflexão profunda sobre como seria o mundo e as nossas relações depois que aquilo tudo passasse.

Sobre a obra

Uma obra calcada na metáfora das máscaras, que protegem mas limitam, que ocultam as verdadeiras faces, e na alma que rebrota por detrás de tanto sofrimento. Traz uma métrica articulada e rimas brancas, além de muito da terminologia regional gaúcha.

Sobre o autor

Poeta e declamador gaúcho com participações em inúmeros festivais. inicialmente focado nas temáticas regionais, a partir do programa Gente de Talento da CAIXA passou a produzir obras de cunho mais universal. Economiário há 37 anos, já fui vencedor do Talentos Fenae nacional, na categoria poesia, em duas oportunidades.

Autor(a): RODRIGO CANANI MEDEIROS (Rodrigo Canani)

APCEF/SC