Reticências

Quando eu digo: fica
E um pronome oblíqua em sua boca
Quase à bancarrota,
Vírgula absorta range a porta,
Faz canção imprevista.
O susto ainda gravita
E a fratura exposta
Já não dita a rota.

Pois se digo: fica
E você declina; ah, vil idioma,
Rompe-se a redoma,
Tudo se desmancha e ressoa.

Mas entre o adeus e a hora,
Algo se extravia,
Quase à revelia
Dos próprios reveses.
Vírgula distraída engole a partida.
Equivoca-se o ponto:

três vezes.

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Inspiração

A pretensa poesia nasceu de um liquidificador ligado onde coloquei um pouco de Eucanaã Ferraz, Ana Martins Marques, Paulo Henriques Britto e uma pitada de Manoel de Barros. Desliguei quando o ruido do liquidificador me pareceu Thiago Amud.

Sobre a obra

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Sobre o autor

Meu talento é ficar remoendo.

Autor(a): PAULO ROBERTO PEREIRA DE ARAUJO (Paulo Araujo)

APCEF/PE