- Página inicial
- Detalhe obra
ESQUERDO
Quem escreve entre as linhas retas,
A mão esquerda ou a palavra destra?
Na destreza a que se apega, ouve,
No fundo, murmurando, o tanto que a si nega.
Pois é o que nega que em si deseja,
E o que oferece é o que lhe dera...
... o mundo – sim, este mundo que lhe cobra
Que ande reto na via esquerda,
Que cale a voz com que nascera,
E que se mantenha sempre à beira.
Desperto da farsa de vida alheia,
Querido dessa esquerdeza,
Encaro, resoluto, a página inteira
Que conscreve a história dessa vida em si canhota,
Em que tentei sempre a destreza:
Antes um órfão canhoto que um destro sempre à deriva.
Inspiração
A sombra que projetamos por alteridade: nos vemos à medida que nos opomos ao outro.
Sobre a obra
Não tem técnica específica, construo o texto por oposição intencional.
Sobre o autor
Poeta ocasional. Falo exclusivamente do que fere.
Autor(a): JULIO CESAR RIBEIRO MENEZES DOS SANTOS (JC)
APCEF/RJ