A VIAGEM

A VIAGEM


Saio e encaro o céu.
De dia, o sol me cega
para o que me espreita ao redor.
De noite, embriago-me de cosmos,
persigo constelações
sem eleger estrelas.
De ouvidos atentos,
aguardo o sinal que avisa a hora.
Sei que não estou pronto:
trajo o desalinho,
carrego a mala na alma,
largo bens avulsos pelo caminho.
Sei que parto, mas para onde?
A passagem é um borrão,
não sei quem me espera no desembarque.
O relógio gira tresloucado;
tento segui-lo, mas ele trava.
Surgem vultos estranhos.
Olham-me como se me soubessem,
como se me falassem.
Atônito, trêmulo,
escuto o zumbido que avisa:
eu parti.
E, no entanto,
continuo no mesmo lugar.

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Inspiração

Os últimos momentos da vida são icógnitas que martirizam muitas pessoas. Achei que era um tema a ser explorado.

Sobre a obra

Fala dos últimos momentos do ser humano que vê sua partida como uma viagem sem rumo e sem direção.

Sobre o autor

Economiário aposentado, advogado, membro da Academia Piauiense de Poesia, autor de sete livros, sendo dois de contos e poemas e cinco de romance de época que procura mostrar as carências e os sofrimentos dos homens do campo em um período em que as terras pertenciam a poucos e a ganância não valorizava o ser humano.

Autor(a): ANTONIO VASCONCELOS PACHECO (A. V. Pacheco)

APCEF/PI