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Flamenguista Marciano
Flamenguista Marciano
Sou flamenguista graças a um Marciano. Isso mesmo, e não se trata de um conto fantasioso. Garanto que gozo de boa saúde mental — pelo menos, eu acho. A essa altura, aqueles que não usam o manto sagrado já devem estar criticando e esbravejando: é mania de grandeza dos flamenguistas.
Bem, se Marte é o planeta vermelho, só falta mesclar o preto para ser o planeta rubro-negro. Assim dirão os que possuem a esperança de assistir a um jogo ao lado de um ET. Já se imaginam no Maraca cantando: “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo, Flamengo até Marciano quer ser”. Claro, não faltará oposição. Um gaúcho, tchê, dirá: “Se é vermelho, é do Inter!”. E aquela torcida adversária de chorões dirá: “Não vale, ET na torcida não está no regulamento. Chamem o VAR!”.
O fato é que sou rubro-negro graças a um Marciano. E esse contato imediato de primeiro grau se deu na infância. Nasci alvinegro de pai e mãe e, se fosse aquela a minha sina, veria meu time campeão nacional por apenas três vezes, em mais de seis décadas. Marciano mudou meu destino. Multiplicou o número de vezes em que gritei “é campeão!” Obrigado, Marciano!
Lembro-me como se fosse hoje: eu, rodeado por alvinegros, e ele chegou com brilho nos olhos e luz no rosto, trazendo aquela camisa vermelha e preta. Depois, a caneca, a toalha e, por fim, a vitrola tocando o hino do clube: “Flamengo, Flamengo, sempre hei de ser...”. Fui abduzido em meus pensamentos e sentimentos. Naveguei por mares nunca antes navegados. Flutuei por galáxias desconhecidas. Viajei com Fio Maravilha, com o Galinho de Quintino e, mesmo não tendo uma “nega chamada Tereza”, tinha o Marciano comigo. Ele me fez flamenguista.
Você pode não acreditar, mas esse Marciano resgatou para o Clube de Regatas do Flamengo outros parentes, e a família se tornou majoritariamente rubro-negra. Um Marciano evangelizador do bom futebol. Um catequista da arte dentro das quatro linhas. Tive a oportunidade de vê-lo jogando também, não no Maracanã, mas nos campos perto de minha casa. Sim, o Marciano gostava de futebol de campo e de salão.
Hoje, Marciano não está mais conosco. Encantou-se e foi morar em uma estrela distante. Valeu, tio Marciano! Sim, meu tio, irmão da minha mãe. Esse era o nome dele: Marciano Maurício Campos. E, se você pensou que ele veio de Marte, errou. Mas bem que podia ser. Afinal, ser flamenguista é mesmo uma coisa de outro mundo.
Inspiração
Havia assistido ao filme o Dia D com foco nos ET e depois ouvi um comentário sobre um time de futebol que era coisa de outro mundo. Fiz então um link das duas coisas em forma de crônica.
Sobre a obra
Trata-se de uma crônica provocativa no tema futebolístico com muito humor e uma revelação final que tem relação com minha vida pessoal. Bem divertida para quem gosta do clube e provocativa para outras torcidas.
Sobre o autor
Sou aposentado da caixa, tendo me desligado em 2018. Após a aposentadora fiz uma pós graduação em de literatura infantil e juvenil. Já publiquei dois livros de poesia para adultos e cinco livros para o público infantil, além de participar de dezenas de antologias. Atualmente sou membro algumas entidades literárias.
Autor(a): JOSE RENATO DE AMORIM (J. R. Amorim)
APCEF/MG