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Diagnóstico
Diagnóstico
Foi confirmado!
Está escrito no papel.
Nessa linha havia um dado
Cujo valor alterado
Fez do ontem um antes meu.
Li de novo, lentamente,
Como quem tenta encontrar
Uma vírgula esquecida,
Uma brecha, uma saída,
Outro jeito de contar.
Lá fora, a vida seguia:
Ria alguém no corredor.
Como cabia, num dia,
Tanta coisa que eu não via
Antes de ouvir o doutor?
Dobrei a folha em silêncio,
Sem saber o que dizer.
O papel coube no bolso,
Mas aquilo que eu sentia
Não sabia onde caber.
Inspiração
O poema nasceu do dia em que recebemos o diagnóstico de câncer da minha mãe. Essa experiência me fez refletir sobre como vivemos como se fôssemos eternos e damos importância ao que é pequeno. Uma notícia dividiu o tempo em antes e depois, transformando minha percepção da vida, dos afetos e do que realmente importa.
Sobre a obra
Construí o poema em quatro estrofes de cinco versos, com rimas e linguagem simples. A releitura do exame, o riso no corredor e o gesto de dobrar a folha me remetem àquele dia e ao impacto da notícia. A repetição do verbo caber conduz ao desfecho e traduz a sensação de que, naquele dia, a vida já não cabia em mim.
Sobre o autor
Sou um artista multidisciplinar e transito pela fotografia, pelas artes visuais, pela música e pela literatura. Em diferentes linguagens, busco transformar experiências, memórias e elementos cotidianos em obras sensíveis que convidem à reflexão, à imaginação e ao encontro com o outro. Minha criação nasce do afeto e de um olhar atento para a vida.
Autor(a): FABIANO RIBEIRO (Fabiano Ribeiro)
APCEF/SC
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