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Diminuindo distâncias
Diminuindo distâncias
Quando cheguei a Barreiros/PE, a Agência da Caixa estava submersa.
Quase toda a cidade também.
Somente a parte mais alta, onde ficava a igreja, permanecia fora d’água.
Eu já tinha visto aquelas imagens pela televisão. Mas, diante da cidade alagada, percebi que há uma diferença enorme entre assistir a uma tragédia e caminhar dentro dela. A população estava quase toda desabrigada. A agência, sequer podia ser acessada.
Era preciso encontrar outro caminho.
A Caixa levou para lá uma de suas Agências Caminhão. Com ela, foi possível pagar benefícios sociais e antecipar recursos do FGTS. Participei da criação e da implantação dessas agências e, naquele momento, pude perceber concretamente para que elas serviam.
Não era apenas um caminhão.
Era uma agência chegando.
Anos depois, encontrei uma situação diferente, mas que me ensinaria a mesma coisa.
Na região amazônica, há comunidades que não conhecem estradas. O rio é a rua. É por ele que chegam os alimentos, os medicamentos e as pessoas.
Era também por ele que deveria chegar a cidadania.
Foi por isso que colocamos uma agência sobre um barco.
Quando naveguei na Agência-Barco Chico Mendes, percebi que não estávamos criando apenas uma nova maneira de atender clientes, Estávamos reconhecendo uma realidade que já existia.
Para milhares de brasileiros, o caminho até o banco não era pelo asfalto.
Era pela água.
Em vez de essas pessoas enfrentarem viagens longas, cansativas e caras para chegar até a Caixa, a Caixa ia até elas.
O nome da agência me parecia uma justa homenagem. Chico Mendes havia dedicado sua vida à defesa da Amazônia, de seus povos e da preservação da floresta.
Tive a oportunidade de visitar a casa onde ele morou, em Xapurí, no Acre, hoje transformada em museu.
Também participei de outro projeto de que me orgulho: a instalação de mil agências em apenas dois anos.
O desafio não era simplesmente encontrar imóveis ou construir prédios. Em muitos casos, significa levar o primeiro atendimento bancário a municípios que jamais haviam tido uma agência.
Para milhares de brasileiros, abrir uma conta, receber um benefício social ou conseguir um financiamento deixava de exigir horas de viagem.
Mas havia uma distância que não se media em quilômetros.
Pouco tempo depois da pacificação do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, estive ali para prospectar um imóvel onde seria instalada uma agência da Caixa.
Pela primeira vez, caminhei por ruas que, durante muitos anos estiveram praticamente inacessíveis ao poder público.
O Exército estava presente. As Unidades de Polícia Pacificadora começavam a se instalar. Aos poucos, chegavam também postos de saúde, escolas e outros serviços públicos.
Naquele momento, a Caixa também passava a fazer parte daquela comunidade.
Anos depois, a tecnologia mudaria novamente a maneira de aproximar o banco das pessoas. O celular passou a fazer aquilo que antes exigia estradas, barcos ou prédios.
Mas, naquele tempo, a presença física ainda fazia toda a diferença.
Hoje, quando olho para trás, percebo que participei de projetos muito diferentes.
Um caminhão no meio de uma cidade alagada.
Um barco navegando pelos rios da Amazônia.
Uma agência chegando a um município que nunca havia tido uma.
Uma agência entrando em uma comunidade que durante anos estivera afastada da presença do Estado.
E percebo que todos aqueles projetos tinham alguma coisa em comum.
Diminuir distância.
Às vezes, a distância era feita de quilômetros.
Às vezes, de água.
Às vezes, de falta de estradas.
E, algumas vezes, de ausência.
Há distâncias que não se vencem esperando que o outro chegue. É preciso ir até ele.
Inspiração
Eu tive uma experiência de quase-morte, aí resolvi escrever algumas memórias em formato de crônicas e ou cartas dirigida a minha neta, que acabou de completar um ano. Então, minha neta, foi minha inspiração.
Sobre a obra
Eu trabalhei muitos anos na área de logística da Caixa. Nessa crônica eu destaco alguns projetos que tinham por objetivo diminuir a distância da Caixa com a população.
Sobre o autor
Sou aposentado da Caixa.
Autor(a): PAULO SERGIO AIRES (PAULO SERGIO AIRES)
APCEF/GO
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