Talentos Fenae/Apcef

A Sorte


A sorte chegou atrasada,
como quase tudo que presta na vida.

Sentou-se ao meu lado, pediu um drink
e não disse mais nada.

Não me importei com ela.

Os céticos chamam de acaso
o que chamamos de milagre,
pois não sabemos explicar
o que não temos domínio.

Na rua, os carros passavam
carregando pequenas tragédias.

Acidentes esperando para acontecer.

Talvez a sorte seja isto: não ganhar nada, mas escapar ileso do que parecia ser
um mau destino.

A cidade continuava acesa.

Despedi-me da sorte friamente,
pendurei a nossa conta e fui para casa.

Do lado de fora, a noite não prometia nada.

Foi melhor assim...

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Inspiração

A inspiração veio da vida cotidiana, das pequenas tragédias que atravessam a cidade e da percepção de que, muitas vezes, ter sorte não significa ganhar alguma coisa, mas simplesmente escapar inteiro daquilo que poderia ter dado errado.

Sobre a obra

O poema parte de uma situação cotidiana, para refletir sobre acaso, destino e as pequenas tragédias da vida urbana. A personificação da sorte permite transformar uma ideia abstrata em uma personagem concreta, com quem o eu lírico estabelece uma relação marcada pela ironia e pelo distanciamento.

Sobre o autor

Paulistano, graduado em História, pai de Bárbara e Lucas. Trabalho na Caixa há 15 anos. Escrevo porque acredito no poder transformador da arte.

Autor(a): FELIPE THIAGO SANNA (Felipe Sanna)

APCEF/SP


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