- Página inicial
- Detalhe obra
A Sorte
A sorte chegou atrasada,
como quase tudo que presta na vida.
Sentou-se ao meu lado, pediu um drink
e não disse mais nada.
Não me importei com ela.
Os céticos chamam de acaso
o que chamamos de milagre,
pois não sabemos explicar
o que não temos domínio.
Na rua, os carros passavam
carregando pequenas tragédias.
Acidentes esperando para acontecer.
Talvez a sorte seja isto: não ganhar nada, mas escapar ileso do que parecia ser
um mau destino.
A cidade continuava acesa.
Despedi-me da sorte friamente,
pendurei a nossa conta e fui para casa.
Do lado de fora, a noite não prometia nada.
Foi melhor assim...
Inspiração
A inspiração veio da vida cotidiana, das pequenas tragédias que atravessam a cidade e da percepção de que, muitas vezes, ter sorte não significa ganhar alguma coisa, mas simplesmente escapar inteiro daquilo que poderia ter dado errado.
Sobre a obra
O poema parte de uma situação cotidiana, para refletir sobre acaso, destino e as pequenas tragédias da vida urbana. A personificação da sorte permite transformar uma ideia abstrata em uma personagem concreta, com quem o eu lírico estabelece uma relação marcada pela ironia e pelo distanciamento.
Sobre o autor
Paulistano, graduado em História, pai de Bárbara e Lucas. Trabalho na Caixa há 15 anos. Escrevo porque acredito no poder transformador da arte.
Autor(a): FELIPE THIAGO SANNA (Felipe Sanna)
APCEF/SP
Essa obra já recebeu votos de 16 pessoas
Essa obra já recebeu 59 votos (com peso)
Vote nesta obra
Entre com sua conta para dar uma nota de 5 a 10.