Rio Manin

Rio Manin

Cresci onde o tempo bebe água do rio
Correnteza que existe e sempre existiu
Um lugar onde o tempo se esconde e sorri
E eu sou criança sempre que volto ali

É onde as pedras curam todo o cansaço
E a conexão se faz com o pé descalço
E mesmo que às vezes me demoro a voltar
Te carrego no peito para qualquer lugar

As palavras flutuam como peixes na mão
E os olhos dos tios guardam constelação
Brincávamos livres, subir no leito do rio
E o riso corria mais leve que o frio

Os galhos dançavam no mesmo verão
Como braços do tempo em oração
Na pele, da água, o sol se sentia
E o mundo cabia na nossa alegria

Sou o que o vento não levou
O que o rio ainda guarda em mim
Silêncio que escorre do tempo: Rio Manin

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Inspiração

A inspiração veio das lembranças da infância vivida com minha família no Rio Manin, em Treviso/SC, bem no pé da Serra Geral. É um lugar ao qual retorno e, de alguma forma, volto também a ser criança. A poesia nasceu da vontade de guardar em palavras aquilo que o tempo não conseguiu levar.

Sobre a obra

A poesia é construída a partir de memórias afetivas, imagens da natureza e rimas que dão vida às lembranças. O rio e o tempo aparecem personificados, como elementos que atravessam a infância e permanecem até hoje. Foi composta originalmente para ser letra de música, mas não possuo ainda habilidade musical para desenvolvê-la além da própria escrita.

Sobre o autor

Filósofo por identificação, encontro na Arte não apenas uma linguagem, mas uma possibilidade de transformação. Ela educa sem impor, desperta sem explicar, conduz o olhar para além do que costumamos alcançar. É como abrir uma janela para dentro de mim e, por um instante, permitir que outros também possam experimentar aquilo que vejo e sinto.

Autor(a): LUIZ GUSTAVO CITTADIN (Gustavo Cittadin)

APCEF/SC


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