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Paxão minêra
Paxão minêra
Avistei ocê passano lá na portêra,
De chapéu de paia e sorriso no oiá,
O meu mundo deu uma vorta intêra,
E o meu corpo começô a chacuaiá.
Eu que era bicho sorto desse cerrado,
Sempre manso, sossegado no meu canto,
Fui pego de jeito, fiquei amarrado,
Laçado pelo nó do seu encanto.
Lá no fogão, o pensamento cheio,
Penso n’eu te abraçando e coando o café
Vivê na sua vida agora é meu anseio,
Vou grudá n’ocê iguar carrapicho no pé.
Eita, coração virô um trem desgovernado,
Fiquei perdido sem o seu aconchego,
Parece que o fole já nasceu apaxonado,
E nos seus braço é qu’eu acho meu sossego.
Ocê é iguarzinha a um pão de queijo de forno,
Quente, macio, gostoso e sem defeito,
Tira a minha vida desse mormaço morno,
Vem morá pra sempre aqui no meu peito.
Vem, larga de bobagem, vem depressa,
Traz a mala e muda logo pro meu chão,
Que a nossa história de amor começa
Nesse abraço quentinho junto do fogão.
Inspiração
Mineirinho que sou, trago na memória o eco e o sotaque do povo da roça lá da minha cidade. Escrever assim é um jeito de voltar para casa, costurando as palavras com a mesma simplicidade, o mesmo afeto e o ritmo manso que a gente mineira usa para contar suas histórias ao redor do fogão a lenha.
Sobre a obra
As linhas deste poema romântico guardam o sentir sincero de um caipira apaixonado. É uma declaração feita sem palavras difíceis, mas cheia de afeto, onde o sotaque da roça se transforma em poesia e o amor se revela na beleza das coisas mais simples da vida.
Sobre o autor
Longe de mim a audácia de reivindicar o título de artista; vejo-me, na verdade, como um mero arremedo do que a verdadeira arte representa. Movido por uma inquietação constante, permito-me o risco de desbravar as palavras na escrita, de traçar linhas no desenho e de misturar cores na pintura, e, bem mais esporadicamente, ouso praticar a fotografia.
Autor(a): JOAQUIM MARCELINO DE ANDRADE NETO (Lino Andrei)
APCEF/DF