- Página inicial
- Detalhe obra
COMO TRêS MOSQUITEIROS
Não se confunda, meu amigo
Nem pense que um erro aconteceu
Pois letra trocada traz perigo
Se num vespeiro alguém mexeu
Mosqueteiro é alma nobre
Justo, ímpio, honrado e puro
Em tom moral não há quem cobre
Sua coragem tal qual seguro
Diante de quem o desafia
Prática habilidade ele destila
Batalha e luta noite e dia
Espada em punho, assim desfila
Como cavaleiro é corajoso
De função é reto tal qual bedel
Vive num mundo perigoso
Dançando ao som do menestrel
Se Mosqueteiro serve à Coroa
Ao seu Rei dedica apreço,
Seu intento não destoa
Da justiça feita a qualquer preço
Já mosquiteiro é todo-coisa,
Não tem alma, dó nem coração
Mosquiteiro evita mosquito
Que é vetor de contaminação
Mosquiteiro é transparente
E cor sólida não tem não
Através dele a gente enxerga
Tanto bicho e infestação
Dengue, zika, malária e febre
Pra dentro dele passam não
Mas quando furo nele se descobre
Aí é dor de cortar o coração
Por isso agora eu falo inteiro
E digo assim, sem preocupação
De um tipo de mosquiteiro
Que só engana a Nação
Esse tipo, então, no todo vil,
De maldade certa e corriqueira
Acha que é Mosqueteiro do Brasil
E usa como capa a bandeira
De moral acéfala e duvidosa,
Tem relacionamento bem suspeito
A lista de contatos é numerosa
Tem banqueiro, ministro e até prefeito
Assim se conta mosquiteiro:
Um, dois, três e chega a quatro
Cada um vive o devaneio
De se achar grande de fato
Um tem sonhos de grandeza
Dois é do tipo estrangeiro
Três renega a própria natureza
E segue o Quatro que veio primeiro
Fossem Athos, Porthos e Aramis
A nos salvar no frio futuro
De Mosqueteiros se tratariam
Não de um clã bestial e duro
E D´Artagnan, por onde anda?
Ninguém sabe, ninguém viu
Talvez esteja escondido
De vergonha do Brasil
Chego ao fim de simples linhas
Com um pedido a lhe fazer
Não confunda uns e outros
Quando chegar a hora de escolher
Pois Mosqueteiro com “e” se escreve,
mosquiteiro com “i” se faz
Mas Mosqueteiro é livro leve
e mosquiteiro não é capaz
De evitar uma tragédia
Se em suas mãos tiver poder
Pois mosquiteiro não faz comédia
Só deixa o drama acontecer.
Inspiração
Há quem diga que eu quisesse falar sobre escolhas, mas acabei falando sobre mosquiteiros...
Sobre a obra
Verso livres, prosa ligeira. Poesia rápida e rasteira, de rimas inocentes. Poeminha cadenciado, gostoso de ser lido de uma pegada só. Quem sabe ali no fundo, por dentro de um mosquiteiros os nas páginas das aventuras de um mosqueteiro, alguma reflexão se perceba no ar.
Sobre o autor
Publicitário de formação, economiário de ocupação e escritor de coração, sou um contador de histórias de final de semana. Autor dos livros "Prazeres" (contos eróticos), "Atemporal" (contos) e "Diário do Lobo Solitário" (romance), gosto de retratar cenas banais do cotidiano amplificadas pelo filtro do absurdo.
Autor(a): DIEGO RAMON VALLE VITAL (Diego Vital)
APCEF/SC
Essa obra já recebeu votos de 0 pessoas
Essa obra já recebeu 0 votos (com peso)