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Geração ''Six Seven''
Conforme o tempo passa, mudamos nossos hábitos, o jeito de nos vestir, a forma como entendemos o cotidiano e os relacionamentos interpessoais, assim como a cultura.
Venho de uma geração em que a falta de dispositivos digitais estimulava nossa criatividade, as brincadeiras de criança não serviam apenas para diversão, serviam também como uma forma de moldar o caráter e fazer com que a mente buscasse recursos e saídas para diversas situações.
Certo dia, olhando para as crianças do meu condomínio, enquanto brincavam na área comum, percebi que elas estavam levantando e baixando as mãos rapidamente, chegavam a ficar vermelhas por prenderem a respiração para fazer o movimento sair mais rápido, fazendo o tal ‘’six seven’’ que viram nas redes sociais. Elas riam, apontavam umas para as outras, algumas até se deitavam no chão para ver se ‘’farmavam mais aura’’.
Recebi aquilo com muito estranheza, com tanto conteúdo legal que tem na internet, será que era aquele tipo de coisa sem sentido que fazia a criançada feliz? Aquela brincadeira durou quase 1 hora.
Ao retornar para o meu apartamento, fiquei buscando na memória minhas brincadeiras de infância, para me certificar de que minha geração era melhor ou até mesmo mais inteligente. Então me lembrei da tal ‘’adoleta’’, qual era o sentido de bater a mão com outro colega enquanto cantávamos uma musiquinha? Também tinha a ‘’estátua’’, que consistia apenas em ficar parado, o último a se mexer era declarado vencedor. A famosa ‘’cabra cega’’, uma criança ficava vendada (às vezes até quebrando os vasos de flores da mãe), enquanto tentava achar os outros amigos – como se fosse possível encontrar alguém estando vendado.
Então, fiquei rindo sozinho e pensando: talvez, quem sabe, até fazíamos coisas semelhantes, só não havia ninguém para filmar.
Inspiração
O choque de gerações.
Sobre a obra
Crônica narrativa.
Sobre o autor
Apenas mais um.
Autor(a): ADOLINO SILVEIRA JUNIOR (Adolino Poeta)
APCEF/SC