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O CASTIGO DE SER ESPECIAL
O CASTIGO DE SER ESPECIAL
A bela profecia, enfaticamente dirigida à criança,
declarava que a inteligência me levaria longe,
me faria voar alto e conquistar o sucesso,
mas, oh, paradoxo!
o que fez foi parir o fantasma do fracasso.
O futuro brilhante ganhou peso de obrigação;
a promessa era grande demais para não se cumprir.
Minha mente, sem que eu pudesse dar por isso,
concluiu e decidiu:
talvez, então, o melhor mesmo seja nem tentar…
E eu passei a vida em meio a ideias geniais,
uma inteligência fora do comum, encapsulada,
sem encontrar o caminho para eclodir e vingar,
como a semente que cumpre a sua gênese.
O ideal de perfeição não me permitia nem sonhar.
Os elogios da infância me aprisionam.
E se eu não for tudo o que esperam?
Sou consumida pela vontade de voar,
mas não consigo, sem prever a precisão do pouso.
Será que sou mesmo boa o bastante?
O preciosismo me distancia da preciosa simplicidade.
Instintivamente, eu questionava:
por que a mente que se quebra por excesso
não é vista como merecedora de suporte?
A necessidade de cuidado existe e insiste —
tanto para o atraso que dificulta a partida,
quanto para o prodígio que se esmaga...
antes mesmo de largar.
Sem que eu queira ou possa controlar,
o tédio do esforço cotidiano se torna uma afronta,
somado à insuportável sensação de nunca estar pronta.
Não foi minha escolha acreditar que sou especial,
mas, afinal, esse parece ter sido o meu maior mal.
Inspiração
Nascida no paradoxo da Dupla Excepcionalidade, a obra inspira-se no peso sufocante das expectativas da infância e no perfeccionismo paralisante. Surge do questionamento sobre a falta de suporte para a mente que se exaure pelo excesso, transformando a dor da inteligência encapsulada em manifesto e libertação.
Sobre a obra
O poema foi elaborado em versos livres divididos em 5 movimentos emocionais. Utilizando metáforas viscerais e ritmo fluido, procurei conectar a multiplicidade incoerente de sentimentos ao amadurecimento poético. O texto foi lapidado unindo desabafo autoetnográfico e apuro formal, convertendo o trauma da expectativa em arte pura e acolhimento.
Sobre o autor
Sou Vanessa Plena. Aos 58 anos, diagnosticada 2E. Meu desejo é transformar as preciosidades da minha mente de altas habilidades combinada à minha singular sensibilidade em conteúdos vivos e poéticos. Faço da escrita, ao mesmo tempo, um veículo de desabafo e um manifesto de liberdade e transbordamento, convertendo a dor do silêncio em arte e beleza.
Autor(a): VANESSA PEREIRA SILVA (Vanessa Plena)
APCEF/MG