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TEMPO VÍVIDO VIVIDO
Há dias que passam
como páginas vazias;
o relógio bate ponto na saída,
e, na ata da memória, nada se registra.
Mas, em outros, de súbito,
um vento desalinha mapas,
o coração tropeça no próprio passo,
e o mundo se modifica.
E é nesses instantes,
que sabotam o planejamento,
e dão rosto ao passado
é que o tempo pulsa vivo.
O comum, por vezes, silencia;
o extraordinário, evidencia:
risca o calendário a tinta forte,
e engrandece a medida dos dias.
Não é renúncia ao plano,
é saber dançar com o imprevisto:
ter bússola nos bolsos
e pés dispostos aos desvios.
Porque é nos caminhos não traçados
que a memória aprende a gravar o mundo.
E, quando a noite recolhe as horas,
o cansaço nos traz orgulho.
Que se meça o vivido
pelo brilho dos instantes
que ousaram fugir do controle
onde o sentimento fez morada,
e o tempo, enfim, tornou se presença.
Inspiração
Reflexão sobre como sentimos o tempo.
Sobre a obra
Reflexão, observação e tradução de sentimentos.
Sobre o autor
Não sou poeta. Sou teimoso.
Autor(a): CLAUDIO BOECHAT GOMES FERNANDES (Boechat)
APCEF/AM
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