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Devagar, como antes

Devagar, como antes

Em tempos de telas brilhantes e palavras abreviadas, parece que a sabedoria passou a ser tratada como um item dispensável. Como se o que antes era conquistado com tempo e paciência pudesse ser adquirido em pílulas prontas, comprimidos de "sucesso rápido" vendidos a preço de curtidas e compartilhamentos. E nessa nova lógica, talvez a palavra "profundo" seja algo que cai em desuso. A vida, tão vasta e rica, se comprime em tutoriais que prometem fórmulas mágicas para tudo, desde enriquecimento em um mês até um milhão de seguidores em uma semana.

O conhecimento, que antes brotava de conversas com os mais velhos, de olhares trocados em momentos de silêncio, hoje é atropelado pela pressa de se tornar visível. Não basta ser, tem que parecer. E quem tem tempo para aprender algo novo, realmente de corpo e alma, se a fama é oferecida em troca da superficialidade? Estamos numa era em que o atalho parece o único caminho, o sucesso rápido, a única meta. Como se, ao clicar em um botão, toda a sabedoria dos anos de experiência pudesse ser substituída por um vídeo curto.

A conversa agora acontece com deslizes de dedos e piscadelas de tela, e aqueles "sábios naturais" que antes nos presenteavam com histórias são esquecidos, substituídos por influencers e celebridades que falam de tudo e, ao mesmo tempo, de nada. A troca de experiências, que fazia a gente caminhar mais devagar, se dilui entre algoritmos que sabem mais de nós do que nós mesmos. E a vida real? É empurrada para segundo plano, eclipsada pelo brilho artificial do sucesso online.

É uma crise do pensamento, talvez. Ou quem sabe uma nova era onde a profundidade parece supérflua, onde o caminho seguro de aprender pela experiência perde espaço para a ilusão do rápido, do instantâneo, do sucesso sem raízes. Esperemos, então, que ainda restem aqueles que caminhem devagar, que saibam olhar para os lados, ouvir os que vieram antes e valorizar o que se constrói com as mãos, o que leva tempo para florescer. Que ainda possamos lembrar que a única vida que vale a pena viver é a que não cabe em telas ou likes, mas pulsa aqui, ao alcance do nosso olhar e do nosso toque.

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Inspiração

Esta crônica nasceu da inquietação com a pressa do nosso tempo, em que tudo precisa ser rápido e visível. Quis lembrar o valor do que se aprende com a calma, a conversa com os mais velhos, o silêncio, a experiência vivida. É um convite para desacelerar e olhar a vida fora das telas.

Sobre a obra

Crônica em quatro parágrafos, em tom reflexivo e com linguagem simples. Parti de cenas do cotidiano, como telas, tutoriais e curtidas, para contrastar a pressa de hoje com a sabedoria que leva tempo.

Sobre o autor

Sou Thiago, empregado da Caixa. Gosto de escrever, transformando o que vejo e vivo em textos simples e sensíveis, porque acredito que comunicar bem aproxima as pessoas.

Autor(a): THIAGO PAULINO DO NASCIMENTO (Thiago Paulino)

APCEF/CE


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